sexta-feira, 25 de março de 2011

INSUMO

Não daremos retorno pelo que consumimos por que nada de fato se desgasta.

Somos o próprio insumo daquilo que pensamos digerir.

ATEU POETA

CAUSA FIENDI

A ciência que dependa de fé jamais será veramente científica por que a fé anula qualquer senso de verdade.
A verdade é o objetivo final do cientista.

ATEU POETA

sexta-feira, 18 de março de 2011

O SIGNO DO LOBO














































O poder paira sobre os seus propósitos com as garras de rapina estendidas na perseguição à lebre
Enquanto armas de fogo permeiam o dia e a noite sem temer punição
Sempre é diagonal a trama secreta acima do bem e do mal
Para quem patrimônio é sinônimo de cabresto a História não é assunto destro
―Deixa estar que te adestro ― Diz o caçador enquanto o lobo uiva a fugir para a selva enquanto a floresta existe
Mesmo sem as árvores a selvageria estará sempre consigo
A liberdade naturalmente é seu signo
Caçador vira presa
A natureza é maior que a mesquinhez humana
Lobo caça caçador

Ateu Poeta

AMAR-TE À MORTE


AMAR-TE À MORTE

Antes de a morte ser 
É preciso amor tecer
Amortecendo

O amor, a morte e ao infinito
Palavras pulsando no ouvido como o oceano ecoando numa concha

Teus lindos olhos deixaram em meu peito uma roncha de saudade
Faça a caridade de me retribuir o olhar, pelo menos
És linda, és poesia e desfere em meu amor a nostalgia de ser platônico

Ainda estou atônito sem ti
O que senti nem sei ao certo, mas foi intenso
Por um amor pretenso nasce a poesia condoreira
Talvez seja a derradeira
Queria morrer em teus braços
Amar-te à própria morte até em Marte é minha sorte ou minha sina?
O que me fascina mais é o mistério que vai em tua mente
Aqui jaz um poeta demente
Ou, quem sabe, carente da guria que não vem


PARANOMÁSIA







































As redondilhas não são redondas ou seria pleonasmo
Ou, por acaso, paranomásia?
A poesia em eutanásia, auto-análise, lirismo
Aforismo da Másia

_Para não!
_Para que?
_Não sei, poetizar!

Poetisa é a vida ávida que inebria de sensatez
Por vez, minha tez já é contaminada de loucura cara
É mais barato comprar poesia feita que fabricar e vender

Mas o que posso fazer, se sou poeta?
Minha arte e ofício é minha prisão e sustento
Ou sob o teto do vento moraria

_Pra onde vai, Maria?
_Comprar poesia. E você?
_Fico por aqui. Me traz duas na volta.

ATEU POETA

POESIA PESADA

POESIA PESADA

joga a rima pra outra esquina

Deixe-me aqui a pensar

Regras, pra que te quero?
Normas me fazem tripudiar
Mas prefiro ter liberdade
Poesia de verdade é só linguagem, nada mais

Pra que regras se não as quero
Impero sem a elas exaltar
Quem as amar que as bajule
Eu quero é me esbaldar na literatura sincera
De azul aquarela, no repente
É minha natureza
A fortaleza dos meus versos está em não ter freio

Não corte minha inspiração
Sai do meio!
A transpiração do poeta não carece de rima
Ou de outra técnica qualquer
Porém, dá leveza

Minha poesia é pesada


ATEU POETA

NORMA



NORMA

ontem cozinhei sem receita e criei outra coisa
desregrado, nado sem saber nadar
crio para me libertar
quebrando normas

Norma não gosta da normalista
nem da lista de normas
se nem a Norma gosta, por que eu gostaria?

Regras, deixo-as pra outro dia
pra quando eu estiver afim
hoje sigo até o fim com minha própria lei

fugir à lei também é libertar-se
e a liberdade é minha lei
hei de achá-la, caso exista
talvez, até desista, mas não agora

a hora não é boa pra parar
ora essa!
estou com pressa de achar
o que talvez nem exista, mas me guia

guria, um dia voltarei, quem sabe
sem dia certo
com a certeza que fiz o que devia
ou, talvez, de que não deveria fazer o que faço

mas, sei lá, continuarei a ser eu mesmo
aquele que não aceita regras
por fortaleza ou por entrega
a uma mera ideologia

ATEU POETA

domingo, 13 de março de 2011

VULCÂNICA



Te imagino, Magmah, molhada em poesia

Com essa camisa clara, transparente
Vendo o que não devia por se apresentar belo
Beleza do fogo em maestria

Musa, poetisa e poesia de Vulcano
Estaria louco se não fizesse plano
De ouvir tua voz quente
Mas, és mera ilusão da lente de um PC

Mas, sonhar é bom
Mesmo com o que não pode ser

ATEU POETA

sábado, 12 de março de 2011

DEMÔNIO-FICÇÃO


 

DEMÔNIO FICÇÃO


E novamente o Demônio sobe o morro
Pra assombrar quem a ele tema
Em Mato-Grosso, São Paulo, Saquarema

Em qualquer lugar do universo interneteano
Entra ano, sai ano, todos ainda o temem
Mero personagem da mais bruta ficção

por que tanta fixação eu não entendo
O cara nem existe e assombra assim
Imagina se fosse Lampião, César, Constantino,
Lord Nelson, Átila, Viriato, Vercingetórix,
Aníbal, Calígula, Xabur

Ou outra figura qualquer, sei lá
Um serial killer como Jack
Para que temer quem não pode matar uma mosca?

Melhor é pensar que sofrer em vão
Afinal, temos mente para quê?

ATEU POETA

sábado, 5 de março de 2011

ARANHA LOBO










CAP. 1 AMIGOS VIRTUAIS

Leônidas, garoto cearense, de classe média-baixa, estudante de ensino médio da escola pública em Fortaleza, amante de tudo o que é tecnológico, principalmente daquilo que seus pais não podem comprar, como vídeo-game de última geração, celular que filma e acessa internet, i-pod, i-ped, net-book e tudo o mais de interessante e divertido que a tecnologia poderia oferecer, como a robótica, que vira pela TV, em campeonatos de destruição de robôs.
Eis que sua escola recebe do governo 12 computadores e, nisso, tendo concurso para que alunos sejam monitores. Logo, ele se inscreve, mas não passa, por não ter curso de computação, e, na verdade, mal sabia digitar, por que nunca tivera dinheiro para gastar em lan-house, e, quando o tinha, apenas jogava games de ação, como Counter-Striker e RPG, como Milotogy e Warcraft.
Alguns dos monitores aprenderam a mexer num programa chamado Amigos Virtuais, um site de relacionamentos da internet. Até então, Leônidas ainda não tinha conhecimento de internet, nem a mínima noção do que seria. Contudo, por sempre aparecer no laboratório de informática, eis que um dia lhe fizeram um perfil.
_Você tem e-mail?_Perguntara-lhe o monitor.
_Hã? O que é isso?_Respondera quase que automaticamente, pois nunca antes escutara aquela palavra.
_Há-há-há. Cara, é uma espécie de correio através do qual a gente se comunica de forma mais rápida. Vou criar um pra você hoje, e amanhã eu te mando o convite do Amigos Virtuais e te ensino a mexer.
No dia seguinte, lá estava ele, esperando o monitor. Nem sequer merendou para conhecer o tal site de relacionamentos.
_E aí, você enviou o convite?
_Sim. Vamos criar para você uma senha, diferente da do e-mail. Você me diz seus dados aqui e eu digito para ti.
_E depois de pronto, o que a gente faz?
_Eu já te mostro. Pronto, olha, aqui são os recados, alguém te adiciona e tu escolhes se quer ou não como amigo. A gente pode procurar um nome de alguém aqui. Diz aí um nome.
_Sei lá, Leonara.
_Pronto, aqui, todos esses perfis são de pessoas que se chamam Leonara. Agora escolhe uma delas pra gente ver o perfil.
_Esta aqui. Mas por que não dá pra ver o álbum de fotos?
_Ela trancou para amigos. Vou adicionar ela aqui e amanhã a gente vê, se ela te aceitar.
CAP.2: LEONARA

Em todo intervalo Leônidas visitava o multi-mail de sua escola, nome a que chamavam agora o laboratório, afinal, tudo na internet é em inglês. Mas nada de Leonara o aceitar como amigo.
_Ei, cara, o que eu faço para enviar uma mensagem para ela? Por mais que eu tente aqui, nada. Não tem como. Eu não entendi isso.
_Ela bloqueou os scraps.
_O quê?
_Você não pode mandar recado para ela.
_E aí? Morreu?
_Não. Tem uma caixa de mensagem aqui. A de diálogo está fechada, mas pode mandar uma mensagem curta para ela aqui. Mas, geralmente, ninguém olha isso.
_Então, eu escrevo o que?
_Sei lá. Diz que achou o perfil dela interessante, e gostaria de conversar com ela.
E assim o garoto fez.
No dia seguinte, uma mensagem no e-mail dizia: Eu não te conheço, e por isso, não vou te adicionar, não adianta insistir. Mas, ele blefou, com a seguinte mensagem: Você me conhece sim, só que não lembra. Ao que Ela respondeu: De onde?
Se não lembra de mim, não vou insistir. Depois ele deu a cartada final, a bloqueou, antes que ela desse qualquer resposta.
Em alguns meses Leônidas tinha apenas 10 amigos adicionados, cada um de um Estado diferente. Conversava sempre com eles, e entrava em suas comunidades, falando sobre os mais variados assuntos. Esquecera completamente daquela que quis adicionar antes, até que viu uma caixa embaixo, que não tinha ainda consciência que existia, a caixa de spam.
Por não saber o que significava tal palavra, resolveu abrir, e lá viu uma mensagem de Leonara.

CAP.3: A ARANHA-LOBO

O recado dizia: Não, não lembro mesmo, mas te adicionei. Você tem MSN?
Ele, a essa altura, não mais lembrava quem seria a tal Leonara, porém, decidiu responder: Tudo bem, valeu. Mas quem é você?
Você que me adicionou dizendo que me conhecia.
Eu? Pode ser, mas não lembro. Mas é bom conhecê-la. Você gosta de Biologia? É o que diz aí no seu perfil. Sabe, nessa semana a gente teve umas aulas sobre lixo tecnológico, é um grande problema para o planeta, não é?
Sim. Todo lixo é um grande problema, mas podemos reciclar. Há cidades que reciclam quase todo o lixo e o tecnológico daria para fazer novos objetos, se caíssem em mãos responsáveis que pensassem em políticas públicas com maior seriedade, mas as fábricas só pensam em lucrar.
Eu vi um documentário, dia desses, sobre a seda. Ela é fabricada por vários tipos de insetos, dentre eles aranhas. Dentre elas, uma chamada aranha-lobo, que pode voar centenas de quilômetros a centenas de metros de altura.
Eu não vi isso. É verdade, ou você está mentindo novamente?
Pois é, dessa vez é verdade. Não lembro que tenha mentido. Você também parece que mente quando diz gostar de Biologia. Você gosta, realmente, ou é mentira?

CAP.4: FEIRA DE CIÊNCIAS

Uma semana depois estava à véspera da feira de ciências e Leônidas vira uma reportagem sobre a Universidade Federal do Ceará desenvolvendo uma vacina a partir do feijão de corda e outra sobre finasterida reduzir a calvície e combater o câncer de próstata.
Em seguida, lê uma crônica indignada pela ANVISA querer proibir substâncias usadas em medicamentos para emagrecer e lembra-se, de repente, do cientista, nas estórias do Homem-Aranha, que virava jacaré por causa de uma substância experimental.
E o lixo hospitalar no lixão, deve ferir muitos catadores _Pensou_ como será a vida de um catador de lixo? Será que isso me poderá servir na feira de ciências?
No caminho de volta da escola avistou um catador de lixo na rua, deu sinal de descer e foi ao encalço do homem. Perguntou várias coisas a ele, como quanto ganhava, o que coletava e, de repente, perguntou se ele via muitas peças soltas de computador, sem se dar conta que o catador não estava interessado em conversa; daí, ofereceu-lhe dinheiro para que pegasse algumas peças.
_O que exatamente você quer?
_Se você aparecer aqui amanhã nessa mesma hora eu te mostro.
_Tudo bem, mas estou apressado.
No dia seguinte o garoto tinha impresso algumas figuras baixadas da internet de peças de PC, como placa-mãe, HD e fonte, e as levou ao catador, que passara na mesma hora pelo local. Entregou a folha, mas sem saber ainda direito o que faria com as possíveis peças que o catador achasse.

CAP.5: ARANHA CIBERNÉTICA

No dia seguinte, o catador achara várias peças, mouses, teclados e até carcaça de CPU. O garoto pagou, como prometido, e levou tudo para casa, ainda sem muita noção do que faria com aquilo e sem certeza de onde teria vindo a tal idéia de pagar a um catador de lixo para trazer peças inúteis de PC.
Desenvolvera um projeto naquela semana que na ora do vamos ver deu-lhe um 10, e melhor, ele desenvolvera tudo sozinho com pesquisas na internet, sem precisar de uma equipe para tanto.
Naquela tarde, encontrara Leonara on-line e foi logo comentando: Tirei um 10 hoje com o meu projeto de ciências.
Parabéns! Mas fez uma aranha-lobo?
Sim. Como adivinhou?
Você me falou naquele dia dela, e a vi no documentário, talvez o mesmo que você tenha visto antes. Imaginei que usaria isso, mas não tinha idéia de como.
Eu criei várias com lixo tecnológico que reciclei, cada aranha em uma posição diferente, e, também, construí uma desenvolvida para andar com pilhas.
Sabe, eu não gosto de aranhas.
Nem eu. Só do Homem-Aranha. Lembrando dele e de alguns desenhos como Transformers é que imaginei uma aranha produzida a partir do lixo tecnológico.
E por que a aranha-lobo, em especial?
Ah, por que ela faz uma coisa quando bebê que o homem sempre sonhou: voar. Se tiver aranha-lobo na China, ela pode até ter sido a inspiração para o balão.
É. Quem sabe. Só não sei por que esse nome, aranha-lobo...
Ora, por que ela deve uivar para lua cheia, rosnar para estranhos e adorar ovelha no jantar. (risos).

ATEU POETA
26/02/2011
7h e 40 min

sexta-feira, 4 de março de 2011

A MORTE DO CAPOEIRA

A capoeira, hoje, ficou menor
Um vazio se estende durante o dia
A juventude abreviada
O capoeirista não acorda
Seu talento se perdeu para sempre
Agora, a lembrança embala
A canção, o berimbau, o pandeiro e o atabaque
É tão estranho, mas todos, um dia, morrerão
Só não precisava ser assim, cedo demais
Deixando para trás todo o potencial
os ideais e os amigos sem resposta
A capoeira foi vencida pela tristeza
O capoeira nunca mais jogará

ATEU POETA
7h e 37 min
Ateu Poeta, O Historiador de Pacoti. Tema Simples. Tecnologia do Blogger.