Temer na cadeia Aécio na cadeia

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sexta-feira, 15 de julho de 2011

COMO ME TORNEI ATEU



Como me tornei Ateu



Desde pequeno eu sempre fui cheio de manias, uma delas, que irritava 


mais todo mundo, era perguntar demais.



Um aluno de minha mãe era dos poucos que me ouvia e falava de Sócrates, Platão, Arquimedes, etc. Esse cara se tornou agnóstico e depois ateu. Eu fiz até primeira eucaristia, mas sempre fui meio preguiçoso para rezar e ir à missa. 

Eu li partes da bíblia em casa, principalmente a parte dos 28 capítulos do início do Novo Testamento, onde ficam as parábolas. Meu avô lia também, quase todo dia alguma passagem. Minha irmã lia pra mim algumas partes.

 Eu assistia aqueles desenhos bíblicos, as vezes e filmes também. Acontece que sempre assisti de tudo. E sempre gostei de filmes de terror. Mas, tinha um problema, eu sempre muitas vezes sonho, ainda hoje, com coisas que assisto, então, sonhei muitas vezes indo ao Inferno e voltando, tendo minha alma expulsa do corpo para que o Demônio dominasse meu corpo, como no filme "O exorcista". 

Como eu tinha essa dificuldade para dormir, muitas vezes eu tinha que controlar meus sonhos. Acordava várias vezes durante à noite e voltava a dormir tentando pensar em outra coisa. E, as vezes, enfrentava as coisas que me faziam tremer de medo, como leões, bois e o próprio Demônio. Entre meus 15 e 16 anos, no 1° ano do ensino médio, eu ouvi o termo demônios, numa aula de História ou de Geografia.

Eu sabia que cracia significava governo, e, portanto, democracia significava, ao pé da letra, governo dos demônios, mas demônios eram um povo que era a plebe de Roma. Logo, eu pensei: - Será que Demônio vem de demônios? Como eu posso provar isso se for verdade. Então eu vi, numa aula de História as classes sociais, a luta de classes de Karl Marx. 

Depois fiquei sabendo que Inferno significa inferé; embaixo. Eu sabia que no centro da Terra havia Larva, pelo que assistia em documentários na T.V. Daí, a palavra Lúcifer deveria significar luz inferior (lux-inferé). Mas como assim "luz inferior" se uma porção de luz não vale mais que a outra? Lucifer, então, é um nome pejorativo.

E, se já nasceu com esse nome é por que estava fadado a falhar, como se Deus quisesse que ele fosse mau. Mas, por que Deus queria que ele fosse mau? A resposta seria simples: por que eram a mesma pessoa, logo Deus não existia, muito menos o Demônio. 

Daí, eu tive um sonho em que matava Deus, e, em seguida dizia ao Demônio: _Deus não existe, logo, o Demônio não existe! Daí, eu o matava com uma espada muito grande e ele desaparecia para nunca mais aparecer nos meus sonhos. Mesmo assim, eu fiquei na dúvida, se Deus existir, o Demônio existe, e eu vou para o Inferno por isso. 

Eu pensei, então, na Igreja como o próprio Céu e a classe alta: aquilo que sempre queremos mas não podemos ter. No purgatório como a classe média e o proletariado, trabalhando para sustentar o Céu por que queria ir pra lá, mas estava mais próximo de cair no Inferno. No Inferno como a sarjeta e as prisões: um lugar tão ruim que queremos subir de nível a qualquer preço. 

Eu pensei se o Demônio existe para que temamos é por que isso aumenta o poder de Deus, de modo contrário ele jamais permitiria se é bom. Se ele é bom, por que criou o Demônio? Como o mau surgiu se Lúcifer era o anjo mais belo de todos? E se Deus está em todos os lugares, por que viria à Terra visitar Adão? Se Deus está no meio de nós, em todo lugar, como se diz, ele é todo lugar, logo, eu também sou Deus, o Demônio é Deus, o próprio Universo é Deus. 

Portanto, se Deus existe ele é o próprio Universo (nessa época eu só escrevia universo com u maiúsculo, mas acho que ninguém percebeu, também nunca falei disso) e tudo estaria correndo em suas veias. Acreditei por um tempo que o Universo era um ser vivo e que estaríamos dentro dele. 

Era a única forma de existir Deus sem que existisse o Demônio. Eu tinha ouvido o termo agnóstico, mas ainda não ateu e muito menos deísta. Nem sei se acreditar num Universo-Deus tem um nome, mas eu acreditei nisso, e calei muitos com essa idéia. Uma professora me perguntou se eu era ateu uma vez que falei: _Porra de missa! Eu disse que era na frente da sala toda, mas, depois disse que não era e que falei aquilo pra ela não esticar a conversa. Contudo, voltei a disser que era ateu, mesmo sem muita certeza se era ou não. 

Até que vi, já no cursinho, a história de um homem chamado Constantino. Li numa revista de História que São Jorge nunca existira e isso me fez ter certeza de que eu estava pensando correto. Assim como o santo responsável pelo sucesso do cristianismo nunca existiu, Cristo também poderia ser uma fachada e o Demônio uma arma para fazer lavagem-cerebral no povo. 

Eu havia sofrido uma lavagem-cerebral, estava no momento da contra-lavagem-cerebral que eu faria em mim mesmo. Daí, eu procurei ler mais sobre coisas do cérebro e me interessar por neurociência. Na faculdade de Administração eu vi Psicologia. Me interessei mais ainda pela mente. Na época do cursinho eu tinha assistido a uma palestra de para-psicologia, mas como antes eu tinha lido "Carrie" e me disseram que era ficção e eu vi depois que era mesmo, não acreditei no padre-parapsicólogo. 

Depois eu li uma biografia de Darwin, "Por que Freude errou", de Richard Webster, "O erro de Descartes", de António Damásio e um simpósio sobre Nietzsche e Deleuze, da UECE (Faculdade Estadual do Ceará), onde Nietzsche falava de onde surgia Cristo (Zoroastro, Dionísio e Hórus). 

Eu li sobre esses deuses na internet, pra saber quem eram. Zoroastro eu vi na faculdade de História, quando larguei a Administração. Eu conheci também a comunidade "Ateísmo e Anticristianismo", não lembro como, mas até participei de um debate acirrado de um tópico que acabou por ser apagado sobre Adolf Hitler ser ateu (em outras comunidades, acontecia o mesmo). 

Na época eu vi na T.V. que Constantino era ateu e defendi isso, hoje, vejo que não; eu estava errado, ele era seguidor das religiões ditas "pagãs". Descobri depois que o termo pagão, vem de Pagü (Pagui), que significa vilão, que, por sua vez é o mesmo que camponês. Entendi que as palavras trocam de sentido durante os períodos históricos. Descobri que os símbolos também, e que a cruz do cristianismo é o Antú egípcio. 

Daí, eu li sofre Amenóphes IV, um cara que destruiu os escritos originais sobre muitos deuses e criou, a partir de cerca de 700, a trilogia Hórus-Ísis-Osíris ( a Santíssima triandade: Pai, Filho e Espírito Santo). Assisti a uns episódios na tv sobre Krisnha (um nome que seria o meu se eu fosse mulher, disse minha mãe. 

Entretanto, é um nome masculino) Entendi o que é um avatar e, muito provavelmente é daí que vem o termo Cristo, o avatar do cristianismo. Sem falar que vi a série "Os bárbaros" (Terry Jones), que falava dos celtas. Nisso, fui pesquisar e achei Sigurd (ou Siegfried), simplesmente o personagem em quem foi inspirado São Jorge. Com cada leitura, estou mais ateu a cada dia 

ATEU POETA

Historiador. Presidente e criador do Jornal Delfos. Sócio-Efetivo e criador da SEMPRE. Criador do projeto de Lei que deu origem ao 1° Arquivo Público do Interior do Nordeste na cidade de Pacoti-CE. Sócio do Instituto Desenvolver. 2° e 4° lugares, consecutivamente, no 1° e 2° concursos de poesia da comunidade "Vamos Escrever um livro?", respectivamente, em 2009 e 2010. Criador do projeto da exposição histórica PACOTY: UMA HISTÓRIA EM DOCUMENTOS, aprovado pelo Banco do Nordeste em 2010.