Temer na cadeia Aécio na cadeia

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Copiem e colem em seus perfis

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

A MÁQUINA DE GIGANTES


Numa montanha eu estava com outro soldado. Atrás, uns carros do tamanho normal, mas de plástico, nos ajudavam a atirar no inimigo. Meu irmão dizia:_Não vá!_ E avançava contra os inimigos.

De um lado dois soldados discutiam: _Nem Adam Smith e nenhum daqueles papas da Administração é mais necessário. Agora os tempos são outros, precisamos de novos papas.
_Ele ainda é vital por que a mão invisível do mercado pode não ser real, porém, isso deu vazão para que o governo afrouxasse a mão de ferro sobre o comércio e isso trouxe grandes avanços ao capitalismo.
_E você acha que o capitalismo é um bom modo de governo?

Nisso, eu saí pra trás da montanha, saltando sobre um dos carros de plástico e imaginando de onde eles vinham. Por que eu era um simples soldado, não entendia o porquê da guerra.

Encontrei outro amigo e lhe perguntei que deus ambos os povos adoravam: _Nós adoramos em comum o deus Apolo. Por quê?
_Precisamos pensar em um modo de acabar com essa guerra estúpida!_ Peguei o volante de um dos carros de plástico, pus no sistema manual e fui retornando pelo caminho de onde os carros vinham e enfim achei uma fábrica onde os carros de brinquedos eram agigantados e equipados com muitas armas.

Buzinei ao portão da fábrica de onde um dos guardas perguntou: _O que você quer, soldado?
_Quero entrar aí e conversar com o gerente!
_O que um soldado raso como você quer aqui?
_Não discuta, soldado, tenho minhas ordens!
_Ordens de quem?
_Do nosso general. Ele me mandou aqui para dar uma instrução ao gerente.

Já com o gerente: _Essa máquina já foi testada em humanos senhor?
_Não, soldado. Você é voluntário?
_Senhor, sim senhor! Tive uma idéia para acabar com essa guerra maldita. Me diga, qual deus o nosso povo e o vizinho ainda têm em comum?
_O deus Apolo. Por que, soldado? O que isso nos ajudará com a guerra?
_Primeiro você terá que me agigantar com essa máquina.

Fiquei na frente de uma das máquinas de agingantamento e as luzes foram jogadas em mim. Pedi depois para que fabricasse uma armadura muito resistente e dourada. O gerente aproveitou para por um sistema de armas avançado, caso o meu plano não desse certo.

Saí com a armadura dourada para a frente de batalha e me anunciei: _Eu sou Apolo. Vocês devem acabar com essa guerra que em nada me agrada ou receberão o castigo de todos os deuses! _Os dois povos se ajoelharam a mim e baixaram suas armas que eu recolhi pessoalmente e destruí.

Mas a máquina não pode me devolver ao tamanho normal e os dois povos já não tinham armas. Nisso, no mês seguinte a notícia se espalhou e outros povos vieram para nos dominar. E eu, fadado a ser um dos deuses da guerra. Os soldados dos dois povos unidos foram gigantificados e receberam armaduras semelhantes a minha enquanto eu vencia sozinho algumas sangrentas batalhas.

Aí percebi que nenhum deus pode acabar com a guerra dos homens. Contudo, agora, os demais povos seriam por nós subjugados. Agigantamos nossas mulheres e crianças também e um dia dominamos o mundo. Nossos filhos já não careciam de máquina alguma, já nasceram gigantes e ficaram maiores do que nós; e os netos ainda maiores. Cada geração bem mais gigante que a outra.

Com o tempo, a máquina de agigantamento foi esquecida e ninguém mas acreditava nas minhas batalhas; mesmo com fotos, armaduras e medalhas, por que nunca passei de um soldado raso, apesar de acabar com um guerra e ajudar a vencer várias seguintes. Daí, entendi que a guerra não precisa de motivos, pois não vem da História, mas da estupidez humana.

Os homens sempre renegaram seu passado em nome do poder e se mataram. Isso é uma coisa que nunca mudará. Somos todos soldados rasos e jamais seremos promovidos. Não importa quantas batalhas ganhemos, no fim, todos iremos morrer, mas isso não é o trágico; o trágico é morrermos por causas banais.

ATEU POETA
21/02/2012