quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

ASAS NOTURNAS


ASAS NOTURNAS

A morte assola de avião
Assombra o mundo de antemão
A cruz macabra do timão
No peito do capitão

Acende o pavio em, ascensão 
Barril da guerra sem fim
Asas noturnas do sol
No arrebol de um clarim

Nas alturas, os dramas de Osama
Lágrimas de Saddam
Sedentas de Satã em Cristo
Dioniso embriaga Kaiser e Brahma

Todos os deuses são cruéis
Jogam os homens na lama

ATEU POETA
O HISTORIADOR DE PACOTI
27/02/2013

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

O CANTO DA MAÇÃ

O CANTO DA MAÇÃ

O que é o encanto?
Em que canto se esconde?
Suga todo o meu canto
Mas, de onde?

Ilude com estrelas, arco-íris e colibris
Alaúde, feiticeiras em frenesi
Belas com olhos de oásis
Asas de condor

Aquarelas que nunca vi
Mas, por que prega dor daqui a Guaianases?
Não se contenta em transpor poesia das miragens?
Dá sentido à razão que se perdera

Sem saber se é pera
Ou se espera a maçã

ATEU POETA
O HISTORIADOR DE PACOTI
25/02/2013

NAS PROFUNDEZAS DO MAR


NAS PROFUNDEZAS DO MAR

Sonhei que dizias sim
E fui feliz por um dia
Quando o universo sem fim
Se fez sinfonia

Mas, à luz da maestria
A verdade não corresponde à fantasia
É voltar à poesia
Onde se esconde a melancolia

Renascer noutra folia
A pluma há de colaborar
Transformar tudo em espuma
Que se vá pelo ar

E que o mundo suma
Nas profundezas do mar

ATEU POETA
O HISTORIADOR DE PACOTI
25/02/2013

VAIDADES DO MUNDO

VAIDADES DO MUNDO

Teus olhos são miragem
Vaidades do mundo
Uma boca de carmim
Que desperta moribundos

Não é para mim
Mas espeta fundo o peito
Em teu seio mora outra paisagem
Não faço parte da imagem

Isso que é mais triste
Ser simples figurante
Apreciar momentos que não vivi
Por os retratos na estante

Quem dera se poeta
Sem viver de ilusões

ATEU POETA
O HISTORIADOR DE PACOTI
25/02/2013

CARRANCA

CARRANCA

Tive pena de mim mesmo
Não aprendi a voar
Pés cravados em areia movediça
Louco sonho am esmo

Ao deus-dará
O abismo suga
Ânima em chamas
Sem mosquete nem adaga

Não há fuga
Nunca se escapa da carranca
No no fim, a vida é uma guerra cruel
Vamos todos para o quartel

Escuro e sem chave
Aproveite a viagem

ATEU POETA
O HISTORIADOR DE PACOTI
25/02/2013

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

PODRIDÃO

PODRIDÃO

Acredita no que é imposto
Por não apostar na proposta consciente
Deixando a razão no pretérito
Perfeita ignorância desejada

Por que dormir é bom
Fingir que vê a luz não é ter visão
Deixar a imaginação levar não dará sabedoria
Quem não precisa de anestesia para sobreviver?

O problema é deixar-se absorver
Por que ela vicia
E não cura
Sua jura é prisão

Corrente do poder e podridão
Que corrói toda estrutura

ATEU POETA
O HISTORIADOR DE PACOTI
18/02/2013

IANQUES

IANQUES

Homens fingem ser outra coisa para agradar à mulher
E ela faz de conta que são todos iguais
Para sanar o ego ferido
Por tantos que ela tanto escolheu 

E por outros que se deixou levar
Diz querer a verdade
Mas se amarra naqueles que contam histórias mirabolantes
Que fazem falsas declarações de amor

Nesse jogo de mimetismos
Os francos são ianques
Todos saem à francesa
À mesa ou à estante

Está servido o dissabor
No berço da solidão

ATEU POETA
O HISTORIADOR DE PACOTI
18/02/2013

sábado, 16 de fevereiro de 2013

DAYMON DELUSION


DAYMON DELUSION


Poiesys- Arte de fazer algo bem feito.

Poética- Tipo de linguagem com uso coloquial. 

Poesia- Uso da linguagem poética, em texto, sonoro, visual ou outra forma.

Poema- Gênero gramatical. Ex: quadra; soneto; cordel. (Prosa com poesia não é poema e versos sem metrificação também não). 

Em árabe, poesia é "xir". 

Muito provavelmente poema e poesia antes eram chamados "trova"; que significa, ao pé da letra, "escrita". Logo, pode ter havido confusão entre escribas e trovadores; entretanto, um trovador, além de escriba, era cantor, geralmente tocando alaúde.

Para os celtas, o nome que se dava a escriba e trovador era bardo; que assumia também a função de professor substituto na falta de um druida ou godi.

Poesia, música, religião, governo secular e História têm uma forte ligação, uma vez que a História em si era contada pelos poetas antes dos reais historiadores, daí a ser muito mistificada até hoje, uma vez que estes mesmos serviam aos comandantes seculares e religiosos em geral; formulando cultura, documentos e rituais que justificassem o poder através de deuses, heróis e guerras.

Na Grécia antiga existia uma palavra que nos foi implantada pelo catolicismo romano sob a forma "demônio", mas, que originalmente é "daymon"; musa sem a qual a poesia não existiria para os gregos.

Derivando de demônio, em Roma, Idade Média, surgem "súcobo" e "íncobo"; demônios que baixavam à noite e faziam sexo com quem dormia.
 
1. DAYMON-SÚCOBO (ROMA):

Súcobo: demônio feminino que faz sexo com homens para roubar-lhes o esperma que entregavam aos íncobos.

A mais famosa súcobo no catolicismo ( que consta em livros apócrifos) e na tradição talmúdica é Lilith, que é a primeira mulher feita do barro que é expulsa do Éden e por insubordinação à Adão e, por isso, seduz os filhos de Adão e Eva. 

Noutra versão ela vira a cobra falante da maçã; imitação clara da Medusa (rainha das górgonas) que foi transformada em serpente por ser mais bela que Afrodite (Vênus).

Lilith também é caracterizada como uma vampira celta que faz sexo com os homens para ganhar energia do calor sexual. A denominação atual de súcobo é justamente essa vampira sexual feminina.
 
2. DAYMON ÍNCOBO (ROMA):

Íncobo: demônio masculino que faz sexo com as mulheres e lhes introduz o sêmen roubado pelos súcobos.

Na visão de Santo Agostinho era um súcobo que virava macho com a permissão de Deus para poder fazer sexo com as mulheres e gerar esses filhos por inseminação artificial, o que era a causa dos abortos espontâneos por serem filhos ilegítimos.

Súcobos e íncobos também poderiam ser anjos que caíam no pecado de fazer sexo com mortais, engravidando dos homens ou engravidando as mulheres; gerando pessoas normais, contudo, amaldiçoadas por que iria contra as determinações de Deus.

3. DAYMON SÉFIRO (GRÉCIA):

Súcobos e íncobos vêm dos "dusii" celtas; "botua porco" na Samoa; "bhuts" para o hinduísmo; "séfiros" na mitologia grega e "jeanies" ou "ifrits" para os árabes.

Os "jeanies" geraram o termo "gênio" ("Jeannie é um gênio") empregada pela religião positivista de Augusto Comte para designar pessoas com uma capacidade intelectual impossível de se alcançar pelos reles mortais (existe ainda hoje uma Igreja Positivista no Rio de Janeiro. A frase "ordem e progresso" vem dessa religião: "o amor por princípio e a ordem por base; o progresso por fim")

4. DAYMON MUSA (GRÉCIA):

Daymons eram musas ou nereides que inspiravam os poetas. Delas, para os gregos, advinha toda a verve poética, principalmente nas quarta-feiras; o dia da poesia.
 
5. DAYMONCRÁCIA (GRÉCIA):

Daymon também era o nome do povo mais numeroso, pobre e oprimido da Grécia quando foi criada a democracia, que significa "governo dos demônios" ou mais precisamente "governo dos daymons", que, muito provavelmente, pelas regras da metafonia, deveria ser sonorizada "daymoncrácia".

Esse governo foi uma forma de iludir os daymons e foi uma das origens da nossa atual democracia.

6. DAYMON ESCRAVOS DOS DEUSES (GRÉCIA):

Os deuses gregos tinham um ou mais demônios particulares, que não eram bons nem maus, isso dependia do ânimo do deus a quem serviam. Por exemplo, os daymons de Hades (Plutão) agiam para matar, já que ele precisava de mortos para aumentar seu poder, o que vale para Thanátos e Ares (Marte).

7. DAYMON MARE (INGLATERRA):

Mare, no Inglês antigo é como se chamavam os íncobos.

8. DAYMON NIGHTMARE (INGLATERRA):

Nightmare em Inglês antigo era a designação do demônio que senta no peito dos adormecidos, atormentando-os com pesadelos. (Na Grécia era o deus Hipnos quem tecia os pesadelos em um manto. Revesava com Morfeu; um dia sonhos outro pesadelos para a Grécia).

9. DAYMON CONHECIMENTO (GRÉCIA):

Segundo Carl Sagan, o termo "demônio" (ou demon) em Grego antigo significa "conhecimento". Talvez, daí ser um pecado o fruto do conhecimento.

Ainda segundo o astrônomo Sagan, "ciência" em Latim também significa "conhecimento".

Santo Agostinho troca o termo de "Demônio" para "Diabo".

10. DAYMON FILOSÓFICO (GRÉCIA):

Segundo Platão, Sócrates dizia ter um daymon pessoal que lhe dava a inspiração necessária para ser um filósofo.

Uma vez que "filo" é "amigo" e "sofia" é "sabedoria", nada melhor que o próprio Conhecimento para guiá-lo, embora que o guiasse somente para paradoxos e dúvidas sem fim.


ATEU POETA
O HISTORIADOR DE PACOTI
16/02/2013
Procure ver:
Livro: "O mundo assombrado pelos demônios" (Carl Sagan)
Série: "Batalha dos deuses" (Discovery Channel)

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

SONHO DE VOAR

 
 
SONHO DE VOAR
 

Proibido é produto

Quem paga o preço tudo pode

O capital inventa o pecado e vende a usura

Cria dor e cura

 

Desestrutura verdades e criaturas

Tudo pode o poder das escrituras

Quem cunha finca a cruz

Todo mundo é Jesus até que se prove o contrário

 

Se não tiver armário não esconderá o amante

Diante do rei todo súdito se ajoelha

Mas, um dia a ovelha vira lobo

Por que cança de ser bobo

 

Não há corte que corte o sonho de voar

No velho jogo de abrir as correntes

 

ATEU POETA
O HISTORIADOR DE PACOTI
14/02/2013

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

NO OLHO DO FURACÃO


NO OLHO DO FURACÃO

Saudade do beijo
Abraço, sorriso e olhos
Saúda a triste sanidade deste coração sem rumo
Sigo teus passos em pensamento

Fora do prumo
Nada mais é o que fora
Em que trajetória se esconde a ânfora da paz?
Quero esquecer qualquer verdade peremptória

Não há história que não mude
Incertezas de atitude também me deixam confuso
Perco o fuso, parafuso e latitude
Paradoxos da fusão e magnitude

Mergulho de cabeça no olho do furacão
Canção na vertente de novas paralaxes

ATEU POETA
O HISTORIADOR DE PACOTI
12/03/2013

sábado, 9 de fevereiro de 2013

JARDIM PUTREFATO

 

JARDIM PUTREFATO
 

Carcarjus caçam carcaças
Ienas e abutres comem a carne podre do comércio
Bem-te-vi com olhos de lince
Estão mortas as flores do teu jardim
 
Colibri que troca néctar por chorume
Tem estômago de avestruz
Ou é outro ser implume
Quem sabe, até finja que voa
 
Para enganar a garôa
E os demônios da seca
A cantar falsos amores
Mequetrefe oligarquia dos horrores
 
Entra o dinheiro
Corrompem-se os valores
 

ATEU POETA
O HISTORIADOR DE PACOTI
09/02/2013

quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

BOCA

BOCA
 

Quem tem boca prova do pão
Ri no circo da transubstanciação
Grita gol com holofotes
Manda beijo para os fracotes
 
Cheio de fricotes
Amordaçado
Rende-se aos chicotes
Mostra os dentes nas fotos

Distorce fatos
Balbucia intrigas
O cabresto aperta
Só morde com coleira

Ora para ir a Roma
Com ira adestrada de todas as horas
 
ATEU POETA
O HISTORIADOR DE PACOTI
06/02/2013

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

TUA VOZ



TUA VOZ

A tua voz afaga os sonhos mais profundos
O desejo se propaga
Faz latifúndio
Nesse coração sem leito

Canção de saudade
Nada cala esse silêncio-mortalha
Aqui dentro mora um fogo rarefeito
Meu peito é palha

E o tempo é algoz
O jeito é cantar em poesia
Pois a vida é feroz
É preciso fazer som do que sobra

Apagar a hipérbole da nostalgia
Buscar outra foz

ATEU POETA 
O HISTORIAQDOR DE PACOTI
4/2/2013

sábado, 2 de fevereiro de 2013

FOGO



FOGO

Matam tudo o que é diferente
Até os sonhos ardentes
Que nos fazem resistir a fio  
Batendo no peito febril

Ao querer mudar o mundo
Mas, no fim das contas
Tudo é repetição
Mesmo nossos corações

São unções do tormento
Da guerra e do lamento
Dos povos em convulsões
Consumidos pelo fogo em desatino

De erupções forjadas
Que não dirão nada às próximas gerações

ATEU POETA
O HISTORIADOR DE PACOTI
02/02/2013
Ateu Poeta, O Historiador de Pacoti. Tema Simples. Tecnologia do Blogger.