sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

O MESTRE

O MESTRE

O verdadeiro mestre deseja sempre discípulos mais inteligentes que ele próprio, pois ferve em seu âmago um desejo de ser superado e fica feliz toda vez que acontece.

Talvez a lição do Zaratustra nietzschiano seja a mesma maiêutica que Platão atribui a Sócrates mas expressa de uma forma contundente e de repente o homem que transborda, ou Übermensch, seja exatamente aquele que Diógenes, o cínico, discípulo de Epicuro, procurava com a lanterna na mão. Esse homem provavelmente seria Sócrates.

Nenhum deles procurou um homem á frente de seu tempo, muito menos um homem com a mente mais evoluída pela evolução, todos queriam apenas um verdadeiro mestre, e Nietzsche, que é um grande mestre, já não se contentava em achar apenas um, ele queria formar vários verdadeiros mestres; sua ânsia por ser superado talvez ardesse mais que a de todos os outros.

O verdadeiro mestre jamais diz ser o caminho, a verdade e muito menos a vida. Ele não fica feliz com a multidão de seguidores que simplesmente tenta digerir o que ele diz. O que realmente o faz feliz é quando acha questionadores que o confrontam, pois as melhores ideias nascem justamente nos grandes confrontos. 

Assim como a medicina evolui bastante durante as grandes guerras e nas epidemias por força de novos estudos, o pensamento racional precisa ser forçado por novos ângulos para saber de dentro do caleidoscópio da ilusão o que são miragens, falsificações e onde está de fato a verdade; que nem sempre pode ser vista a olho nu, mas, se é verdade, poderá ser vista de alguma forma, por algum vestígio real, lógico, racional e que nega totalmente a tolice que é a fé.

O verdadeiro mestre não sabe de tudo e não tem medo de perguntar, pois está sempre apto a aprender e a ensinar tudo o que sabe, pois vê no diálogo o momento crucial da vida; mesmo o diálogo que se tem consigo mesmo, porque há razões, ideias e verdades que só brotam no silêncio, porque o barulho as disfarça, distorce, esconde e falsifica a melodia original, barrando toda a sua fluidez. E somente a auto-dialética pode perfurar esse bloqueio.

Ateu Poeta
23/01/2015
Ateu Poeta, O Historiador de Pacoti. Tema Simples. Tecnologia do Blogger.