segunda-feira, 6 de julho de 2015

AURORA DA SOLIDÃO

AURORA DA SOLIDÃO

Meus olhos são mares de ardência
Na cadência do sangue e do sal
Já nem sei quem sou
O que se deu

O que aconteceu?
A vida acabou
Amigo
Abrigo

Serás sempre um brilho
Nos estribilhos do meu coração
Que por ora virou vácuo
Na aurora da solidão

Talvez, um dia, volte a bater
Com a altivez de outrora
Quem dera não houvesse ocaso
Fosse tudo arrebol

Mas, a morte tem esse anzol macabro
Que  dará cabo de todos nós
Nós profundos
Que jamais desatam

Os versos desandam
Devaneios desacatam
O universo deságua
A verdade é dura feito noz

Lança que atravessa
Voz que vira pelo avesso
Inverso da foz
Feroz noite de inverno

Frio que não sara
Com nenhum cobertor
Ferida que estraçalha
Letras do dissabor

Primavera que não vem
Poema inacabado
Poética sem lirismo
Poeta esgotado

Ateu Poeta
06/07/2015
Ateu Poeta, O Historiador de Pacoti. Tema Simples. Tecnologia do Blogger.