terça-feira, 10 de janeiro de 2017

PELE PRETA

PELE PRETA

O que eu faço não me define
Nem me reprime o não fazer
O apreço não tem preço
Nem pressa

Tudo o que não se vende tem valor
O capital deprecia
Com sua torta e porca teimosia
De escravizar

O homem não pode ser livre
Se tem que avisar
Doar sangue
No mangue

Na corrente 
Do dissabor
Ardente
Açoite

Que ultrapassa o lombo
À noite
Combo
Trapaça 

No paço passa
Tiroteio na praça
Rasteira
Armada

Arapuca na jogada
E na pele preta
A escopeta come
A morte é passaporte

Que deporta
Sem nome
Se a jiripoca piar
Na cassorotiba

A porrada assola
A pomba gira
A cobra fuma
O fumo leva

Cai o a do índio
A tribo tira tora
Porque o peixe
Já não mora

Como o falso quilombola
Sempre desmata
Cascata
Não é mula a mulata

E a muamba da lata
Não é da Lapa
É da nata
Da cocada branca

Aí na geladeira
Ladeira
Que despencou inteira
De dentro do helicóptero astral

O autor não é infrator
Nem autoral
Atual
Atuado

Tatuado com ferro e fogo
O quilombo não sangra 
Por acaso
Mordaça do atraso 


No caso
Ocaso
Seio
Receio

Rodeio
Centeio
Sexta 
Sesta 

Meia
Cesta 
Ceia
Cheia

Vermelha
Centelha
Na séCega fé

A profanar o laicismo
Faz nova Constituição
Crime-catecismo
Catatônico

É irônico
Como nunca pararão
De nos roubar
E difamar

Se pudessem
Jogariam
O nosso corpo
Ao mar

Na orla
De Fortaleza
Sem nobreza
Com cimento nos pés

64 ditaduras
Tão duras
Torturas
A calar coronéis

Quem vê não viu
O vil voltar
O cidadão civil
Só sabe apanhar

Nas redes
Nas ruas
Nas escolas sem partido
País partido

Alunos cheiram cola 
Agora morrerão no sinal
Sem rima legal
Para consolar a sina

A consoante sem lisura nada ensina
Estrutura que começa a pesar
É com grande pesar
Que no penar não se voa

A pena 
Apenas
Assina a pena
Que pena!

Pequena 
Não é a dor
Ator
Em Diadema

Saquarema 
A sacudir
Até o porto partir
Parto

O parto do pato
Propaga
Quanto imposto 
Imposto se paga?

A praga
Da ignorância
Corrompe
Qualquer tolerância

No confronto inevitável
Tudo já está instável
Só falta a explosão
Como paga

As cotas 
Serão o próximo alvoSó será salvo
Quem delas não precisar

Não adianta 
Pedir para Ishtar
Iansã, Atenas, Ossanha
Toda manha está no Congresso 

O que é de gesso
Já está pelo avesso
Congelado até o talo
No estalo do tálamo

Otelo, o Grande
Onde está Macunaíma? São deles as balas
Nosso peito é um ímã

Porque o dinheiro
Vale mais que o irmão
A marmelada já não é de goiaba
Mas de pizza

E a pisa do César
Não é Monalisa
Salutar a pensar
Na Torre de Pizza

Ateu Poeta
10/01/2017
Ateu Poeta, O Historiador de Pacoti. Tema Simples. Tecnologia do Blogger.