Temer na cadeia Aécio na cadeia

Temer na cadeia Aécio na cadeia
Copiem e colem em seus perfis

quinta-feira, 30 de março de 2017

FLOR OPALA

FLOR OPALA

Na madrugada somos água
Desde que a Vespertina era menina
O destino desatina
E a mágoa deságua em revolução

Todo vulcão se converte em cinzas
Quando as ligações desligam
E todo o universo cala
Em teus versos subversos

Fina flor de opala
Que estala o coração mais adverso
Na garganta desentala o grito
Sob o rito de uma estrela rara

Ateu Poeta
30/03/2017

terça-feira, 28 de março de 2017

ALFA-RÁ-BIO

ALFA-RÁ-BIO

Quando o não-ser está
Corrói
Cria cicatriz
Por um triz
Mói
Gera ser em nostalgia
Sangria
Surfando em saudade
Que invade
E ferve em euforia

Elfo ria

Alforria
Sinistro sintoma
O gume, o grude, a goma
A agonia
Cantoria
Cantoneira inteira de harmonia
Mania de sinestesia
Fantasma, Fântasos
Fantasia
Ateu Poeta

28/03/2017

segunda-feira, 27 de março de 2017

TUPÃ-TERA

TUPÃ-TERA

Vocês nos imprimem os seus códigos de barras
Forçam a barra pra que sejamos normais
Presos às normas mais anômalas
Depois cobram de nós que não sejamos iguais


Esqueletos obsoletos da radiação
Enquanto o sistema gera podridão
Fantasmas à deriva na imensidão
Almas amargas, margaridas sem chão

Pássaros mortos postos pra cantar
Todos apostos prontos pra voar
Entoando a canção aprendida na gaiola
Que aprimora os postos mais banais

Diáspora do agora
Que se ancora no caos
A depressão só vai embora
Enquanto é carnaval

O canavial ao escravo devora
No crivo que apavora
O terror é normal
Febril temporal

Ateu Poeta
27/03/2017

domingo, 26 de março de 2017

MALANDRO DEMAIS

MALANDRO DEMAIS

Você nunca foi homem
Jamais teve ideal
Cresceu em cima do meu nome
E hoje acha que é o tal

Não passa de um mito criado
Uma farsa industrial
Só sabe viver de trapaça
Disfarça uma ganância abissal

Rouba mérito e dinheiro
De modo fenomenal
No fundo, nunca foi inteiro
Arteiro, a face do mal

É um grande garapeiro
Larápio, malandro demais
Já virou bicho rasteiro
Um boçal vindo dos litorais

Sempre fingido de amigo
Engana até o Papa
Depois que ganhou abrigo
Virou o assunto da Lapa

Pior que na praça está cheio
De gente assim, tão igual
Ainda farei um sorteio
Pra saber qual o mais cara de pau

Geralmente, são bons viajantes
Vivants, amigos do alheio
Vivendo da ajuda dos fãs
Mais fama que afã e receio

Quem se aproxima é sugado
Tende a ser sugado
Ao lado, na esquina
Na França ou na China

Não importa quem 
Será prejudicado
O crime, para vocês
É rotina e predicado

Ateu Poeta
26/03/2017

quarta-feira, 22 de março de 2017

NAVIO NEGREIRO

http://ateupoeta.blogspot.com.br/2017/03/navio-negreiro.html
NAVIO NEGREIRO

Refrão: Será mesmo que o negro
Escapou da escravidão?
Foi no seio da Bahia
Que nasceu esse refrão (bis)

Ainda existe 
Quem trafique os irmãos
Faz parte do sistema
Esquema de opressão

Só para a Itália
Já foi mais de um milhão
Mulher é jogada
Na prostituição

Estende-se para a Espanha
Holanda e até Alemanha
A brutalidade
É sempre tamanha


Refrão: Será mesmo que o negro
Escapou da escravidão?
Foi no seio da Bahia

Que nasceu esse refrão (bis)

Homens e crianças
Assassinados feito gado
Seus órgãos são vendidos
No Macabro Mercado

Os restos mortais
São descartados
Sem deixar vestígios
Dos pobres coitados

Homem branco 
Também é leva
Mas, é muito mais fácil
Sequestrar o favelado


Refrão: Será mesmo que o negro
Escapou da escravidão?
Foi no seio da Bahia
Que nasceu esse refrão (bis)

Quanto mais pobre
For o país
Mais gente some
Estatística infeliz

Para a Grande Mídia
Miserável não tem nome
Se você examinar
Um navio de renome

De janeiro a janeiro, descobrirá
Que ele é o mundo inteiro
Não importa muito
Se você ginga

Se luta capoeira
Ou se é quilombola
De Angola ou Mandinga
Porque essa mafiocracia

Comanda o corte e a emenda
Mata a democracia
Faz-se tudo de encomenda
Seja noite ou seja dia

Os grilhões
São a própria sepultura
Eles têm balas e canhões
Nos porões da ditadura

Refrão: Será mesmo que o negro
Escapou da escravidão?
Foi no seio da Bahia
Que nasceu esse refrão (bis)

Ateu Poeta
22/03/2017

sexta-feira, 3 de março de 2017

A EXPLOSÃO

 A EXPLOSÃO

Neste mundo cão
A mais triste solidão
De supetão 
Vem aflorar

Intolerância aos sete nós
Fragrância de fel sem foz
O ódio impera sobre nós
Seduz como a Megan Fox

Cegos em egos
À toda voz
Quem enxerga 
Que se erga

Só quando é tarde 
O alarde se dói
DÓI CODI vem
Feito noz

Quem não tem esquilo
Grita no asilo
Caça feito grilo
Mendes ou Murilo

Humanos, nem sei mais
Onde estão
Bicho no poder
A fazer falsa revolução

No seio da canção
Fenece o irmão
Por culpa braba
Da religião relapsa

Os porcos se vendem
E todos pagam
A dívida dos tolos
Do Arpuador à Lapa

A lápide lapida
A vida sem razão
Refrão sem direção
Causará a divisão

Só a suástica tem força
A foice foi-se em paz
O vermelho caiu
Soltaram Barrabás

Do Japão a Aquiraz 
Aqui jaz a união
O vil metal a conquistar
O reinado do vilão

Carrascos suprimem
O pão com seus cascos
Fino e febril fiasco
Golpe no seio do Brasil

Estopim a galope
Trottoir civil
Estampido dolorido
O colorido não se viu

Penas cortam espadas
Sangradas ou não
No nosso peito uma granada
Em suprema explosão

Ateu Poeta
04/03/2017

quinta-feira, 2 de março de 2017

REVIRANDO NÓS

REVIRANDO NÓS 

O céu derrama 
Dramas para quem não tem
As damas postas no além
Aquém da realidade

Moldam a polaridade de alguém
Por desprezo ou vaidade
A sanidade vai e vem
Em versos orbitantes

A pátria nunca foi nem será o Sol
Mas manda no arrebol
Sinfonias de sangue
Para delírio do congresso

Chá de lírio e de regresso
Processo de listas
As listras já não se escondem mais
De Juazeiro a Pinhais

Juízes e carrascos
Culpados de pecados mil
Inflamam fogo no Brasil
Com hipnose e decretos

Secretos são os planos
Dessa gente
Um tucano indecente
Quer tornar cadente

Cada estrela
O pó
Que chamam de cocaína
Está na esquina

Revirando nó
Atropa dá e leva choque
Cega, sega e maltrata
Com a brutalidade ingrata

Para com quem tira o jiló
E aumenta o pão de cada dia
Com firmeza e galhardia
Mas, só importa a sangria para o arigó

E para quem tem dinheiro
Lá no Rio de Janeiro
Que faz carnaval o ano inteiro
E não vai para o xilindró

Ateu Poeta
02/03/2017