sábado, 28 de outubro de 2017

SOLDADO DE SAIGON

SOLDADO DE SAIGON

Eu fui soldado na guerra
O mundo é de quem erra
E não de quem faz
Você apareceu do meu lado
Como um anjo calado
Que me transmitia paz

A vida pode ser um sonho bom
Ninguém precisa de batalha
Pra estender a mortalha
Em Biquine de burbom 
A despeito de Saigon
Só quero beijo e batom

Sei que mesmo desarmado
Tudo será alterado
Se cantarmos noutro tom
Poeta também fica cansado
Neste mundo endiabrado
Escrever não é dom

O frio verde da serra
Sob o vermelho Sol
Banha o céu de arrebol
Pra cada pássaro afinar
Eu quero muito mais
É me perder pelo ar

Quem não tem esperança
Não aprendeu a entrar na dança
Daqui a pouco é aqui jaz
Entender que tudo balança
Não faz a balança 
Deixar de pender

Não devemos parar
Nunca de aprender
Pois viemos pra lutar
E não para sofrer
Morrer é só parte da vida
Nem a arte dá guarida

É doloroso perder
Cada lágrima
Aquece uma ferida
A passagem é só de ida
O trem não para
De correr

A caverna escurece e se ilumina
Há tesouro na mina
Abaixo da paisagem
O rito da sacanagem
Cerebral lavagem
A missão é sobreviver

Ateu Poeta
29/10/2017

quinta-feira, 19 de outubro de 2017

CICUTA

CICUTA

A permuta que espero
Não é bolero
De dourado faisão pelo ar
Ou funk estanque
Para tanque desarmar
O folk nem chega a aloirar

O Sol que nasce
Em teus olhos vitrais
Quer queimar paz
Jogo e fogo fugaz
És sempre mais
Para o meu mundo corar

E desaguar
No hangar do teu Céu
Cheio de mel
Teu regaço é quartel
Enlaço a Lua
Feito cortês menestrel 

Agora é tua
A poesia do réu
Peão é rei
Eu  já esqueci
De te esquecer
Fascínio faz ancorar

E aquecer
Qualquer paixão contumaz
De enlouquecer
Ateu, cristão, Barrabás
E fenecer a fé
Em pé de guerra

Estremece a Terra
O teu requebrarDifícil decifrar
Se este sorriso
É chamado ou aviso
Só sei que preciso

Para melhor me encontrar
E poder sonhar
Sem inciso
Friso
Acanhar é automático
Paralisar pneumático

É o meu calcanhar
Poetizar é veneno
A ácida cicuta do poeta
Que escuta
O que afeta
Com o peito a sangrar

Ateu Poeta
20/10/2017

quarta-feira, 18 de outubro de 2017

ESCRAVIDÃO

ESCRAVIDÃO

A luta é salutar
Se a labuta
Sangrar frutos
Sem escravidão
Chega de tanto mourão!
O clarão do dia chega a soluçar 

Ateu Poeta
19/10/2017

SORRISO VIVO

SORRISO VIVO

Tua bosca
Quando arisca
Arrisca
Um sorriso 
Lindo
Liso
E vivo 
Riscar

Ateu Poeta
19/10/2017

OLHOS DE ILUSÃO

OLHOS DE ILUSÃO

Gambiarra que agarra a inequação
Coração faísca na imensidão
Seus olhos são iscas
Pra minha ilusão
Canção sem refrão a dançar
Jalapão na imensidão do mar

Ateu Poeta
18/10/2017

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Religião é a bala que abala e leva o mundo à perdição. Ateu Poeta. 18/10/2017

Religião é a bala que abala e leva o mundo à perdição
Ateu Poeta
18/10/2017

Sem imaginação a vida é só calefação. Ateu Poeta. 18/10/2017

http://ateupoeta.blogspot.com.br/2017/10/sem-imaginacao-vida-e-so-calefacao-ateu.html
Sem imaginação a vida é só calefação 
Ateu Poeta
 18/10/2017

EVOÉ

EVOÉ

Na boca
Da noite
Adentro
Todo
Talento
Lento
Açoite
Vem
Vendo
Relento
Evento
É vento
Evoé

Ateu Poeta
18/10/2017

SUMO

SUMO

Sumo
Quente
Sou
Que te batizou
No melhor da festa
Sumo
A flecha
Fere o Céu
No insumo
Da floresta

Ateu Poeta
17/10/2017

INDECIFRÁVEL

INDECIFRÁVEL

300 nós me estraçalham 
Quando cantas sem querer
Indecifrável de prazer
As palavras falham

Por trás de cada entranha
A aranha arranha o caos
Nau que adentra o cais
A deferência sempre faz

Referência ao caminho
Diferente do espinho
Nenhuma dor dói mais
Na doce paz do teu carinho

Ateu Poeta
17/10/2017

ESTRELA DE CRISTAIS

ESTRELA DE CRISTAIS
Ambições faraônicas
Transformam ideias astronômicas
Em estrelas binômicas de cristais
Ateu Poeta
17/10/2017

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

DESADESTRAÇÃO


http://ateupoeta.blogspot.com.br/2017/10/desadestracao.html
DESADESTRAÇÃO

Os empresários são
As lêndeas lendárias 
Dos esquemas
Falcatruas tripartites
Transitórios treponemas
Trazendo transtornos intransponíveis
Verbo intransitivo
Aditivando adjetivo 
Superlativo da nevasca
Ayahuasca do plural
Represálias a ruir o Brasil
 Com delação
A presa tem pressa de predar
Quer prevaricar
E procrastinar 
Pedregulho preparado para a profilaxia
Programada na delegacia
Para branquificar
Para pobre operários
Vem a nobre asfixia 
Política sem pólis
Só constrói podridão
É preciso destruir
A destra 
Destruição

Ateu Poeta
16/10/2017

sábado, 14 de outubro de 2017

ESTRIDENTE

ESTRIDENTE

A tristeza da tragédia
Alimenta a minha ira
Comédia é fazer
Média com quadrilha
A ilha de Brasília
Tem que ir a baixo
Tá assinado o esculacho
O sepulcro onde me encaixo
Fogueira na pilha
A uma milha
A pressão é andarilha
Da fornalha
Rabo de arraia mortal
Tem navalha
E não fio, filha
O estribilho
Quebra o trilho
E a escotilha
Somos guerreiros
Não bandoleiros
Bando de cidadãos
Brasileiros
Querendo pão
Sem circo
A nação
Não nasceu
Pra ser um disco
Nazi-fascista
Que cada artista
Construa uma trincheira
E trinque os dentes
Os tempos estão
Estridentes
É hora de aniquilar
Os toscos tridentes

Ateu Poeta
14/10/2017

quinta-feira, 12 de outubro de 2017

SINECRACIA

SINECRACIA

Desatar
Desatinos
Não é destino
Quando a Fênix chora
Maré de magma
A tudo devora
Sangrenta erupção
Sabre que arrebenta
O olho do trovão
O pé do furacão
Dança e se atrapalha
Corrupção é a palha
Que espalha  o sopro do dragão
Agora é fogo
E o jogo
É futebol
Onde a bola é o Sol
E a bala abala
E protege o escorpião
O lobo lobista
Galopa na Lei sofista
Roubando o belo bolo
Como, eu não sei
Meu coração não é pista
Sou só um artista
Que sonha
E se apavora
Quando se evapora
O que é realista
Todo ser pacifista
Em cruz é pregado
Mesmo procrastinado
A nado surfista
O nada sempre invade
A mente do alienado
Que quanto mais algemado
É mais bruto e simplista
A má maçonaria supersônica
Aperta os grilhões
Tolos alcorões
Fazem coral
Bomba de coloral
Colore os milhões
De jargões simbolistas
Corrupção faraônica

Ateu Poeta
13/10/2017

segunda-feira, 9 de outubro de 2017

SINEPLICAÇÃO


Sineplicar é preciso
Isto é um grito
E não um aviso
Embora cansado
Desanimado
E desarmado
Não vejo a hora
De lutar
Desde a aurora
Mais salutar
Que a ávida vida
Concebeu a vir
À vista
Haja vista
Que se invista
Em tudo o que for racionalista
As efemérides são efêmeras in natura
Mas, na teia que atesta
E manifesta a sua tecitura
Constrói sepultura
Na boca do caos
De Laos à Berlim
Por Belenos ou Odin
A ode ao ódio
Vem sem precedente
Com a pressa cadente
Que decanta solidão
Crianças carecem 
De proteção
Todos somos
Seres dolentes
Na quente lágrima
Ardente
Da tão nefasta
Imensidão
Uma mina tritura
O meu coração
Cabeça já não tenho
Este clamor sem noção
É só nó que aperta
Porque o navio afunda
Com o seu capitão

Ateu Poeta
09/10/2017

domingo, 8 de outubro de 2017

SINÉPLIS

SINÉPLIS

Eu não complico
Nem implico
Muito menos simplifico
Mas, transplico
Sineplico
Replico 
E aplico

Ateu Poeta
08/10/2017

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

FINA FERA

http://ateupoeta.blogspot.com.br/2017/10/fina-fera.html
FINA FERA

Poesia é bala perdida
Que arranca o peito 
Sem guarida
Faz ferida no fogo
Felina flor feliz
Fina fera fugaz
Abala 
E cala
Sem jamais
Ser esquecida
É dor infinda
Que mói vaidade
Arrocho sulfúrico
Que arranha e sufoca
Flecha de veneno e fel
Que explode
Lá no nó da saudade
Que a sanidade rói
Não há rei que não se curve
Quando ela vem Vesúvio
Sem a menor piedade
Seja no ápice da velhice
Ou na mais tenra mocidade
Afogando no eflúvio
Maré de magma
Ejaculando caos
No seio do cais
Dilúvio indelével
Deletéria lava voraz
Linda, loira e mordaz

Ateu Poeta
02/10/2017