sexta-feira, 11 de outubro de 2019

ODE À FELICIDADE

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ODE À FELICIDADE

Felicidade é encontrar o ponto equilíbrio. Para se chegar a ele é preciso confiança em algo ou em si mesmo, de preferência. Felicidade está intimamente relacionada à segurança. E não a momentos de euforias, o que se chama alegria e é passageiro. Felicidade é algo permanente, equilíbrio de corpo e mente

"Momentos felizes" não é igual à felicidade. Alegria é prazer momentâneo. A FELICIDADE é um ponto de equilíbrio constante de mente e corpo são. É causada por um estado de segurança, ocasionado por fé em si mesmo ou daqueles que lhe estão próximos.

Ou ainda, uma pseudo felicidade: "momentos felizes" ou fé em algo inexistente, ou o famoso "carpe diem".

Diferente do que Nietzsche pensava, não é possível haver "momentos felizes" sem que a própria felicidade exista, esta é real e bem provável, pois é justamente um estado de confiança que faz com que o sujeito que o possua possa permanecer firme perante as mazelas do mundo, este, o feliz, não se mata porque Deus não existe ou porque ninguém lhe entende, uma vez que se eleva a esse grau de tranquilidade não há o que o abale constantemente.

Felicidade é a querida LIBERDADE que tanto buscamos, mas esta só é possível de alcance por um forte intelecto.

Ateu Poeta
21/11/08

SE

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SE

Se o rei fosse o curinga
Poderíamos desmascarar a graça da existência?
Se o império pertencesse ao trovador
As canções de amor dominariam os continentes?
Se em vez de cantar as mazelas do mundo
Eu almejasse a beleza nos olhos de Aline
E me rendesse às nereides tentadoras
Será que isso me bastaria?
Se os gladiadores dominassem todas as armas
Na política só tivessem boêmios
Todas as questões diplomáticas
Seriam resolvidas no punho da espada?
Se eu não fosse ateu
Só neste ano aceitaria a Teoria da Evolução?
Mas se a vida fosse um teatro escrito
Num poema Drummondiano
Interpretado por Paulo Autran
Quem sabe houvesse razão
No poder in natura
E uma última flor amarela germinaria
No jardim dos intelectuais
E um sorriso de moça
Regeria o universo
Ninguém careceria de meus versos
Para ser feliz

Ateu Poeta
12h e 5 min
19/10/2008

INTIMISMO

INTIMISMO


Nunca me apaixonei de fato
Adoro todas
Sem adorar nenhuma
Dentre os perfis mais distintos
Cada um belo a seu modo
Ou será instinto?
Perco a fala
Minto
Não decido se quero
Nem qual delas
Muito menos se eternamente em vida
Ou por um milésimo de quase morte
Não decido entre uma música de Chopin e um quadro de Rubens
A irreverência de Carlitos e as teias do Homem-Aranha
Qual chamarei para uma dança ou se vou embora
Se insisto ou desisto
Vale a pena tanto esforço se a vida é em vão?
Se soubesse porque desejo talvez minha vontade controlasse
O que fazer?
Sou deslumbrado em desencanto
Canto porque a noite me persegue
E a solidão me nina
Alcançando meus medos do insólito
Menina, aqui jaz um poeta
E o desatino é libertar-me
Dentro desse pavilhão
Amanhã, o ritual
Perdido entre a massa
Sonho feito intelectual
Enquanto o tempo passa


Ateu Poeta
06/10/08

PONTO DE EQUILÍBRIO

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PONTO DE EQUILÍBRIO

Felicidade é alcançar o PONTO DE EQUILÍBRIO MENTAL E CORPORAL.

O que isso quer dizer?

Primeiramente, que todos nós temos sonhos, medos e carências. Logo, alcançar os sonhos, eliminar os medos e suprir às carências; isso é achar o ponto de equilíbrio.

Todavia, quando se alcança um sonho se constrói um maior. Quando se vão todos os medos podem até surgir outros ou não, muito dificilmente existirá quem não tema nada. E sempre haverá carências físicas e psíquicas.

O PONTO DE EQUILÍBRIO é saber lidar com esses medos sonhos e carências, administrando bem a vida em função deles e não deixando-se controlar por eles.

Para tanto é necessário conseguir estabilidade Emocional e Racional.

Ateu Poeta
2008

PIANO


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PIANO

Faz-me flutuar em tuas tristes diretrizes
Irradiando prazer sinfônico num romantismo sem igual
Melodrama repleto de poesia e carnaval
Voo a dançar
Passos de euforia
Pérola-negra em caldas
Mil donzelas e meretrizes
Sideral espaçonave
Siderúrgica filamental
Ave em chamas
Conclave sem clave
Incógnita que nem Eratóstenes resolveria
Por ti transpassa a latitude ptolomesca de Pitágoras
Algarísmica alegoria de cunho artesanal
Frenesi sem o qual a humanidade se consumiria
Quando todos os gênios e deuses desabarem
A música ainda reinará na Távola de Arthur rei
Musa diáfana a compor-me desejos
Deus-dará
Irei
A Churman,  Chopin ou Bach,
Beetowen, Tchaikóviski, Mozart, sei lá!
Villa-Lobos, o oráculo brasileiro
Piano, dê-me uma nota preta de amor por inteiro
De tuas cordas vocais ouço a foz do conhecimento
Talvez seja só sentimento
Brota em meu peito uma dor que ao canto encanta
Não dói, acalanta
Emana palavras em vez de lamentos
Voz melodiosa de emoção
Avida é uma canção
Festa a ir e vir, estação
Manto da prisioneira liberdade
Expressão impressa
paisagem da tarde sem pressa
No baile da Deusa
Felicidade

Ateu Poeta
25/11/08
6:00

EPICUROTITÚMERA

EPICUROTITÚMERA

E se a cada dia eu esquecesse quem sou e o que sei, quem eu seria?

Eu sou o que penso?

E se não penso, não sou?

Sou o que penso que sou ou aquilo que pensam de mim?

Sou ação, pensamento, matéria bruta ou mero fruto cultural?

Essas e outras perguntas se fizeram muitos pensadores, dentre eles aqueles que a si intitularam ou receberam de outrem a alcunha de filósofos, cujo pensamente estivera sempre voltado para a dita VERDADE suprema que nunca surge, pois segundo Kant, ela simplesmente não há.

Entre os temas abordados, um bem complexo ainda hoje é a FELICIDADE, que muitos depois de Nietzsche crêem não existir. Neste barco não sigo, vou acompanhar o pensamento de um sujeito bem mais antigo chamado Epicuro que há mais de 2 mil anos atrás propôs três ingredientes para alcança-la. E me parecem bem racionais:

1.AMIGOS, daqueles verdadeiros e raros. E aconselhava que não se fizesse nenhuma refeição sem a presença de algum, pois comer só era feitio lobos e leões, jamais de homens. Mais importante seria a companhia que a própria comida.

2.AUTO-SUFICIÊNCIA, liberdade de ir e vir, independência financeira. Abandona Atenas por causa desse sentimento. O filósofo Diógenes constrói um muro com os ensinamentos mais tarde em que pessoas poderiam educar-se para a felicidade segundo o epicurismo.

3.AUTO-ANÁLISE, a própria vida deveria passar por reflexões constantes para que se possa escolher com clareza aquilo que vale ou não à pena.

Meus argumentos cromotófilos irão partir de um mimetismo intelectual, homotitúmera dos filamentos de Epicuro. Todavia, partirei da auto-análise, pois sou um analista do empirismo, materialismo, ateísmo, antimisticismo, racionalismo e livre-pensamento, além das minhas questões intimistas. Também sou um sintetizador.

A minha melatonina semântica cogita nesse jogo a criar o mimecrímero lírico capaz de juntar o trio de ingredientes do filósofo com outra pregação sua; justamente aquela que foi interpretada pelo avesso: o prazer para ele era essencial, contudo, nunca o exagero. Não defendia o luxo como fonte do bem-viver, e mesmo não luxava, pelo que consta.

Sem mais delongas, sintetizo daqui: não ao exagero + auto-análise + auto-suficiência + amigos = Aceitação social livre de qualquer ordem superior, sendo a pessoa em questão racional e controladora dos próprios desejos, havendo assim um equilíbrio tanto no quesito razão, quanto emoção, mantendo o seu corpo isento de vícios.

Tudo isso em síntese significa o seguinte: FELICIDADE = EQUILÍBRIO. Prossigo agora uma análise sobre o PONTO DE EQUILÍBRIO.

  • IMPULSO, referente ao ID Freudiano. É o primeiro obstáculo a ser quebrado, ele é responsável por salvar-nos a vida muitas vezes, quando há momento de perigo, contudo, o mesmo longe do perigo só nos estressa e pode levar ao suicídio. Quem é feliz não se mata.
  • DESEJO, diferenciá-lo de vontade. Esta parte mais do âmago que do exterior, é perene, forte, e mantém-se a mesma; enquanto aquele sacia-se a cada minuto um diferente, por isso mesmo pode partir mais de fora que de dentro, permitindo aos outros manipular-nos, pois é nossa maior fraqueza.
  • VONTADE, deve ser alimentada a todo custo no combate aos desejos falsos (vícios). Não que não atendamos nunca aos desejos, pelo contrário, não podemos fugir deles totalmente, pois são vitais, mas evitemos pelo menos os criados pela cultura dominante. A vontade deve superar toda e qualquer cultura, pois esta nos aprisiona sem precisão e aquela nos liberta de tudo e de todos. Solte suas amarras, todas elas.
  • NATUREZA, tudo nela está em constante procura pelo equilíbrio, pelo menos à parte que nos está cabível de amostra. É um ajuste-desajuste imperfeito e fenomenal, possivelmente finito ( por ser real) e muito extenso, onde habita a vida e o inanimado, o compasso e o caos.
  • VIDA, surge desse harmônico jogo impreciso. pegando o piagetiano equilíbrio da mente que tende para o desequilíbrio e vice-versa, sem limite, juntando-se à Lei de Lavoisier, e à Teoria da Evolução, pode-se até lembrar de atração da massa como estudou Newton, Gravidade. Isso tudo, química, física e biologia, sempre se esconde no semblante das ciências, das verdadeiras, ( não são ciências: Parapsicologia, Espiritualismo de Kardec nem outro qualquer, Positivismo de Comte, Nazismo de Hitler, Astrologia, entre outras religiões, com ou sem uma divindade ou mediunidade para lhe representar, Metafísica [pelo menos na parte em que se possa atravessar o tempo, como queria Einstein. E na parte dos buracos de minhoca ou buracos-brancos, em que se iria para os multi-versos de Holking], Filosofia da Mente, uma parte da Astronomia [Expansão do Universo e Big-Bang], Força da Mente [segundo os desse culto você pede ao Universo que ele lhe dará, e esse pedido é feito simplesmente imaginando; servindo tanto para puxar o dito BEM quanto o dito MAL para o ser pensante, portanto, deve-se ter sempre um PENSAMENTO POSITIVIVO, uma vez que a sua mente emanaria uma radição que atriria AZAR e SORTE, balela pura. É um simples caso de Neo-Positivismo Agudo], e às vezes a própria ciência, pois uns cientistas provam que outros estavam errados com frequência [como Galileu que provou que Aristóteles estava errado da Torre de Pizza sobre peso e gravidade e Antônio R. Damásio quie rebate o dualismo de Descartes, do Cógito em que mente e corpo estariam separados], como a Teoria das Inteligências Multiplas de Gardner que deveria ser recauchutada [excluindo-se a parte em que gênios existiriam, por exemplo]), no equilíbrio que sempre se mostra cedo ou tarde, como na primeira Lei da Termodinâmica em que energia não pode ser destruída nem criada.
  • PONTO DE EQUILÍBRIO HUMANO, este se dá não só pela moderação dos desejos, auto-análise, auto-suficiência, amigos e prazer, como também pelo suprimento de outras necessidades básicas, como: moradia, saúde, saneamento, emprego, família equilibrada, boa educação, alimentação de qualidade, condições de higiene tanto individual quanto do ar, água, visual, sonora e luminosa, etc.
SÍNTESE:
De tudo isso, o que mais importa é a auto-análise, e para tanto há que se ter saúde e acesso à leitura, muita de preferência. Acesso ao conhecimento é importante, pois sem ele não há como realizar uma análise realmente crítica da situação. Sem ver pensamentos diferentes não há como formar idéias próprias, logo; não se tem identidade.

A cultura em si não dá identidade ao homem, esta só é conquistada pela razão; aquela só deforma boa parte do que seria certo, transformando em errado perante a mente dos dominados (pecado e prisão) e fazendo-os matarem-se para que haja um domínio geral de alguém.

POR QUE É MAIS IMPORTANTE A AUTO-ANÁLISE?
  1. Porque através dela você descobre o que realmente vale à pena.
  2. Porque com ela você busca força de VONTADE.
  3. Porque pensando você consegue saber quais os IMPULSOS aceitáveis e reprováveis.
  4. E, acima de tudo, sem refletir você nunca saberá se é feliz nem que a FELICIDADE existe.
Ateu Poeta
10/12/2008
5:00 AM

terça-feira, 8 de outubro de 2019

A ANTI-HISTÓRIA

A ANTI-HISTÓRIA

Eu sou a minha
Própria falsificação
Em canção ou poesia
Somente a sangria

É real
Porque tudo que dói 
Corrói
E mata de nostalgia

Só é capaz de dar luz
O capaz que a rouba
As belas-artes são
Chave e cadeado

Neste maldito 
Furacão

Ateu Poeta
08/10/2019

sábado, 7 de setembro de 2019

LEI

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Numa das partes mais profundas do cérebro fica uma glândula responsável pelo sentido de vingança que, quando ativada, liga, por assim dizer, a glândula geradora de prazer, tamanha a sua proximidade, liberando uma substância química, gerando uma sensação de bem-estar.

Mas, o que teria isso a ver com a criação da lei? Tudo. Uma vez que a lei existe para punir, sendo isso um modo de vingança, podemos afirmar que a a lei, ou seja, o sentido de justiça, causa um sentimento de bem-estar, embora que os malfeitores nada nos tenham feito e ainda que não sejamos nós a julgá-los.

Muitos não têm o sentido do prazer tão ativo, geneticamente, então, procuram ativá-lo pela glândula da vingança. O problema é que, tanto podem ser as pessoas mais certinhas, seguidoras de toa a lei, como o oposto, o pior dos bandidos. Mas, uma certeza temos, eles não serão normais, em outras palavras, ou seguem a lei ao pé da letra ou buscam sempre múltiplas formas de burlá-la.

Tanto causa prazer vingar-se que as pessoas com o distúrbio de pouca liberação de adrenalina, por vezes, fazem de tudo para ser "agredidas" somente para se vingar. Mentem mais facilmente e são frias e calculistas. Entretanto, essas pessoas são as mesmas que viram os "heróis", como bombeiros e policiais que se arriscam mais que os outros.

Já quem sofre do distúrbio da liberação exagerada de adrenalina seguirá a lei, pois estará sempre com medo. O problema é que a mesma adrenalina que causa, por exemplo, a síndrome do pânico, é responsável pelo sentimento de ódio. Por tanto, pessoas com esse distúrbio podem, em excesso de ira, ficar incontroláveis. Dificilmente serão corajosas, frias e calculistas como quem sofre do distúrbio contrário.

A lei existe para assegurar alguém no poder e, por vezes, os dominadores são enganados por ela, deixando mais fortes as elites. Isso se dá porque um povo regido por uma lei forte tem o senso de segurança elevado, ainda que não haja segurança alguma. 

Para se manter no poder é preciso brincar com a lei, iludindo as massas e persuadindo seus opositores, como fizeram: Átila, Aníbal, os césares, Hitler, Stalin, Mussolini, Viriato, Napoleão, o conde Vladimir, Mao-Tse-Tung, Getúlio Vargas, Juscelino, Dom Pedro e tantos outros ainda o fazem.

O homem é "um animal sentimental", como diria a banda Legião Urbana, movido por ódio, amor, e acima de tudo, por amor ao ódio, uma vez que o ódio e o poder são amantes da lei, nela emaranhados. Poder e ódio se alimentam no mesmo prato: a vingança, que tanto dá prazer como alivia o acúmulo de adrenalina no sangue. A vingança é a origem da lei.

Ateu Poeta
Pacoti-Ceará
23/05/2009
3h e 32 min

ARÍETE


Em cada livro
Um universo paralelo se apresenta
O leitor
É astronauta da informação
Argonauta do conhecimento
Escafandrista de sinapses
Um gladiador contra o mundo
Filamentos alheios
São seu sabre
A caneta
Lança dialética
Armadura cultural cognitiva
Aríete dantesco
Derrube as muralhas d'aporética

Ateu Poeta
Pacoti-Ceará, 20/07/2009
6h e 59min

BOTIJA DOS MAIA



Em 1906, nascia Maria Santina Maia, filha de Raimundo Pereira da Silva e Francisca Soares da Silva. O Maia do nome é porque eles se aparentaram com Maria Ceci Gonzaga de Arruda, ou Vó Ceci, neta de Maria Antonina Maia, ou Mãe Tonha, que era prima de Francisca Soares da Silva. 

Ana Maria Soledade e Francisco Soares Leitão, pais de Francisca Soares da Silva, ajudaram a criar Santina Maia, pois o pai desta viajara para o Acre no ciclo da borracha e nunca mais voltou. 

Santina Maia, ou Vó Santa, ganhou um grande rosário de ouro branco do seu avô, o vendendo em partes mais tarde. Seu pai, Raimundo da Silva, que fora embora quando ela tinha 11 meses de nascida, desenhando com sangue do indicador na parede uma tal cruz de Salomão, talvez um asterisco, e disse: "_Se em 6 meses eu não voltar, quebre este canto aqui, que vai dar pra vocês irem se mantendo." 

O tempo passou, e a família nunca soube o que tinha realmente dentro da parede, porém, outras pessoas quebraram e tiraram a sorte grande, quando já não morava ninguém na casa. Quem foram? Não sei. Porque a família mesmo não lucrou? Por medo das lendas. E o que continha de fato sob a dita cruz? Pelo que dizem, potes repletos de ouro e prata. 

Se for tudo verdade, minha herança pode ter sido pirateada.


Ateu Poeta
Pacoti-Ceará

11/06/2009

REBATENDO VOLTAIRE

REBATENDO VOLTAIRE

François-Marie Arouet, mas conhecido como Voltaire, em seu livro “Histoire de Jenni ou Athée el le Sage” (História de Jenni ou o Ateu e o Sábio) criou uma estória de um garoto filho de um padre anglicano como desculpa para caluniar os ateus.

Embora o seu personagem Freind reconheça “ateus honrados”; no caso, Epicuro, Leontium, Lucrécio, Memmius, Spinoza, e Hobbes; afirma que o ateu rico viveria com honra em sociedade, enquanto o ateu pobre seria tolo se não matasse para roubar. 

Isso é a expressão de um duplo preconceito; mostra claramente que Voltaire não confiava nas classes mais baixas, ligando-as diretamente ao crime. Mas, se a realidade correspondesse, não haveria tanto rico ladrão ainda hoje, e na própria época em que ele escreveu o livro. 

E se Deus fosse um freio, como é afirmado num trecho logo a seguir, não haveria tanto derramamento de sangue em nome das religiões. Os ateus nunca fizeram cruzadas, nem crucificaram ninguém. Muito menos lutaram para ocupar terras ditas “santas”. 

O pastor anglicano Freind ainda afirma que Agostinho teria visto povos sem cabeça e de um olho só, dando a entender que tal coisa seja verdade simplesmente porque Agostinho teria escrito. Mas é um absurdo! Uma grande mentira! Como François quis que alguém acreditasse em absurdo tamanho? 

Birton, o personagem supostamente ateu, que na verdade seria um agnóstico, porque não tinha convicção, coisa que François deixou claro desconhecer; fala “por Deus”. Um ateu não falaria assim perante um debate sério, a não ser por deboche. 

Birton e Freind são iguais num aspecto, ambos são racistas. Freind considera os negros subumanos enquanto Birton não gosta de judeus. Podemos concluir disso que o próprio François era racista. 

O livro mais parece uma missa anglicana em que ao mesmo tempo são caluniados os ateus e a Igreja Católica é atacada. Enquanto os fanáticos são descritos como a pior espécie de gente. 

Para Voltaire, os ateus seriam monstros pensantes que poderiam ser convertidos porque tinham ideias próprias enquanto o fanático era um monstro pior, justamente porque é um ser que não pensa, apenas segue. 

O problema é que esse medo do ateísmo é um preconceito fanático, logo, François-Marie Arouet era um deísta fanático amador do anglicanismo. 

O tempo mostrou que Voltaire está errado e eu estou aqui para lembrar o erro deste pensador. Já se foi o tempo em que não se poderia rebater pensadores, está na hora de surgirem questionadores com coragem para desmascará-los. 

O ateísmo não é apenas um movimento, mas sim um ato de coragem. Para mim, é uma conquista mental, pessoal. Há quem veja como uma coisa inevitável em suas vidas. Ser ateu, acima de tudo, é ter a coragem de abandonar as amarras mentais impostas pelas religiões; uma superação das culturas e ao mesmo tempo estar vivendo um estado natural da mais pura sanidade mental. 

Ser ateu é não se dopar; sair da caverna para ver o mundo real como de fato é, sem superstições. O misticismo é, foi, e será o maior dos males da face da Terra porque ele é que mata os inocentes, justifica o injustificável, elege os maiores crápulas, escraviza os sujeitos e põe a culpa nos fracos. 

Abaixo Voltaire e viva o ateísmo! 

Diga não ao preconceito aos ateus. 

Pense! 

Seja um questionador!

Ateu Poeta

PADRÃO ÉTICO

PADRÃO ÉTICO

Não bastará um século para produzir uma cabeça igual à que se fez cair num segundo
(Lavoisier) 

A arte é um espelho que adianta como um "relógio"... às vezes
(Kafka)

Tive um sonho esquisito. Não é o primeiro que me serve de inspiração compositora. Sonhar sempre foi muito importante para a criação de meus textos. Sou um ateu, assim como Freud, mas diferente dele, de Augusto Comte e outros como Lévi-Strauss, segundo Richard Webster, procuro desvincular-me de toda forma de misticismo.

Embora já tenha lido António Damásio, não consigo deixar de gostar de certas histórias e personagens como anjos, elfos, vampiros e magos, os que mais gosto depois do Spider-man, Superman e outros super-heróis como Static Chock, além, é claro, do Héracles grego, da figura de Osíris e do Dioniso segundo Nietzsche e Deleuze.

Vamos ao sonho. Disporei tudo aquilo de que me lembrar. Voltando ao máximo de minha memória de trabalho, como descrita pela neuro-ciência, aquela que lembra fatos muito recentes sob o funcionalmente de quem dependemos, por assim dizer, para criar um texto como esse.

Eu andava por um caminho largo, deserto e ao mesmo tempo repleto de árvores ao redor. Uma das poucas vezes que consegui desenvolver um cenário totalmente original, geralmente não consigo imaginar fisicamente, ou em 3d, como preferiria Carl Sagan, aquilo que não conheço de fato.

Uma grande deficiência para alguém que adora "filminhos de boneco", como diria um dos meus tios, e filmes bem fugidios às realidade; como "Matrix", que fez de Neo um dos meus muitos heróis-imaginários dos quais, de algum modo, desejei ser, mesmo que por um segundo.

O fato de me encontrar ali fora para ajudar uma cunhada a colar umas figurinhas, com as quais ela preenchia um álbum. Eu atrapalhava, querendo ajudar, ou por brincadeira. Colei a última, ao que ela disse: _Não. Essa eu não conseguirei colar!

Fiquei sem compreender até ver um ônibus em que ela quis colar figuras iguais às de seu álbum, numa versão ampliada. Inconscientemente, talvez, eu sabia que se ela mesmo colasse, iriam nos confundir com os estudantes que lotavam o ônibus -escolar em movimento.

Então, pagamos a três dessas crianças-tripulantes para que completassem para nós essa espécie de missão. Depois de realizada a colagem perguntei:_Vocês vão de carona ou a pé?_As figuras coladas formavam uma paisagem muito verde. É estranho, sei o que representava a imagem de forma conceitual, abstrata, sem, entretanto, conseguir recriá-la por inteiro em minha mente; o nome convencional que damos para esse emaranhado de pensamentos, das sinapses aos filamentos.

Senti que iria revelar naquela hora um segredo, quando minha cunhada respondeu:_Eu vou por minha conta e risco!_ Senti algo estranho naquele "conta e risco". Ela falara assim para que meus poderes de blud-elf não viessem à tona, todavia, para chegar a outro local onde deveríamos estar logo, só haveria um meio: voar.

Não consigo me lembrar dos rostos nem dos corpos de nenhum dos estudantes. Tudo que sei é que suas camisas eram brancas e o ônibus, que outrora os conduzira, amarelo. Tínhamos que ir a um lugar no mapa que eu segurava. Era um acampamento daqueles que só vi pela T.V., através de filmes e documentários.

Como os estudantes não respondessem ou eu não me conformasse com a resposta dada, pus-me a levitar, revelando assim minha real personalidade. Levantei as duas mãos a concluir um encantamento que nos permitiria voar bem alto e veloz.

Não sei se falei em Latim, coisa pouco provável, uma vez que conheço pouquíssimas palavras em Italiano. Mas, no sonho tudo vale. Voamos alto,e por incrível que pareça, seguíamos por baixo da fiação cinco vezes mais elevadas ou mais que a real.

Avistamos uma criança de suposta má-conduta fugindo, quando afirmei:_Seu caráter pode ser reformado, pois ainda não está totalmente criado.

Daí, já no chão, alguém pronunciara algo sobre meu avô estar bêbado, quando na realidade ele não costuma beber, e alguém ter batido nele, quando me intrometo: _Quem foi?

O cara olha pra mim e diz: _ seu avô está ali._ O encontrando, conduzo-o para minha casa, ajudado por um primo que surgira do nada, mesmo ele dizendo que só iria quando o meu irmão fosse buscá-lo. Sem mais nem menos, chorei tanto que meu primo, irritado, deixara meu avô por minha conta e andara agora às pressas; talvez pra chamar meus irmãos.

Falei pro velho: _Você é meu padrão-ético._Lágrimas escorriam pelo meu nariz abundantemente, enquanto em pensava: _Será que é ou fora?

Agora, o que vem mesmo a ser um padrão-ético? Como nunca ouvi essa expressão, penso que seria algo ou alguém que eu imite como parte integrante de minha personalidade. Mas, quando o espelho quebra e não conseguimos substituí-lo? Algumas coisas em que críamos antes e não fazem sentido hoje perdem o poder de nos guiar. Mas, será mesmo que precisamos de outro cão-guia quando deixamos de ser cegos?

A cultura, em muitos aspectos, é isso, uma estrada em que somos levados por cão-guia, cuja coleira soltamos quando se torna inútil. Nossos espelhos pessoais podem quebrar, todavia, nunca de forma total, em nosso caráter, se extinguirá. O cão pode voltar-se contra o dono numa batalha em que um morra e o outro saia com sequelas, e mesmo assim seguiremos a voz dos nossos espelhos, ou seja; aqueles que antes de nós já caminhavam com autonomia, ou assim nos pareceu algum dia.

Um dos meus amigos me serve de espelho-intelectual, e por conversas com ele meu interesse por assuntos filosóficos iniciara, ou pelo menos aumentara de forma considerável, durante minha infância. Até virei ateu como ele, embora isso eu viesse a ser por questões pessoais independentes das nossas longas conversas de sempre.

Eu nunca fiquei sem um "referencial masculino", como minha mãe pensa ainda hoje. Tenho meus dois irmãos e esse meu amigo, que também me serve de espelho intelectual, embora minha mãe se encontre na base deste, e minha irmã, em seguida.

Meu espelho de homem é meu avô materno. Espero, um dia, ser parte de tudo aquilo que ele representa pra mim. Ele é meu alicerce moral, pelo menos nessa questão de odiar a mentira. Essa é uma questão, dentre poucas, nesta vida curta e disparada, que nunca mudou em mim. A busca pela verdade é ainda meu parâmetro daquilo que entendo por ser um pensador, um mero ser pensante neste universo imenso no qual sou simples, e insignificante, parte de poeira-estelar de alguma forma viva.

Por mais que nos afastemos da cultura, rotina quase vital de um bom pensador, por isso tento piamente, certos aspectos dela não morrem; a não ser quando a memória se esvai, formando parte de nossa identidade. Acima de qualquer valor místico, buscamos incansavelmente um padrão-ético, que muitas vezes já temos sem nos darmos conta de onde ele está fisicamente falando. Mas, eu sei onde está o que sigo e com quem mais pareço.

Quem sabe, alguns sonhos tenham significado profundo, afinal, embora que o modo de Freud esteja errado e venha senso implantado pela dita "Psicanálise". Nem Freud e nem outros pensadores, ateus ou não, como Darwin e Einstein, conseguiram fugir de seus padrões-éticos e de suas condições sociais em cada época.

Para mim, de todos os pensadores, um está à frente: Lavoisier, embora eu não goste de Química. Apenas ele provou a Lei inquestionável da ciência. Não é preciso conviver diretamente com as pessoas para que estas nos sirvam de modelo.

Lavoisier é o meu segundo padrão-ético. Uma espécie de avô-intelectual que infelizmente não conheci, nem poderia, por culpa da finitude aparente da matéria em transformação, que, inclusive, forma meu pensamento e meu apego pela verdade; que é a própria matéria. A contra-gosto de Kant, a verdade existe sim e é simples.

As figuras míticas, para conclusão deste texto, não morrem, porque também nos servem de padrão. Uma vez que gostamos da história, desejamos ser fortes e corajosos como Quasímodo, Asterix e Arsène e acabamos por odiar seus inimigos; no caso aqui estabelecido, o clero e os romanos, incorporando a coragem desses três personagens e de tantos outros dos gibis, HQ's, desenho-animado, literatura, música, filme ou outras expressão artística qualquer.

A arte nos aproxima desses mitos e lendas. Psicologicamente falando, não precisamos nem ter o contato direto com esses mitos para lhes copiar os valores, basta que alguém nos conte uma parte da história de forma admirável ou de forma que tiremos do protagonista algo de valor social; como coragem, lealdade, etc., e logo agiremos como Sherlock Holmes, James Bond ou Bruce Lee.

Parafraseando a Lei de Lavoisier: Nas sociedades, nenhum valor se cria, nenhum valor se perde, todos eles se transformam. E nós copiamos, por mais originais que pareçamos, os valores de alguém; seja ele um parente próximo, um amigo imaginário, se é que isso existe, ou um herói longínquo; real, como Vercingetórix ou forjado, como Sigurd.
Ateu Poeta

FALHA-BUSCA

FALHA-BUSCA

Tudo é um jogo de alívios e tensões. A vida é a maior loucura do universo. Imagine um átomo ciente de si mesmo: Ele existe em nós e isso não faz nenhum sentido. O universo é o produto da tensão em busca do alívio. Mas o que seria o alívio? Eu não sei. Isso é tenso. Saber o que é a tensão aliviaria? Talvez.

Há partículas que se procuram enquanto outras não se toleram. Por que isso se dá? Talvez a tensão seja a própria imperfeição e o alívio a quase-perfeição que a imperfeição atinge.

Num suposto princípio cada molécula era separada no vazio escuro e sombrio, esse era talvez a quase-perfeição máxima, por que se fosse perfeita a matéria jamais se juntaria, por que se há uma busca e uma repulsa é sinal de que algo se completa por ser imperfeito e algo não se mistura por buscar a perfeição numa molécula diferente.

Qual será o limite para a quebra molecular? Chegará a matéria à beira do quase-imaterial? Por que existe limite? Por que existe matéria? Por que a questão? Será o questionamento a minha própria falha-busca pela perfeição em formato de resposta que sanará todas as dúvidas?

Se minhas dúvidas acabarem eu ainda não serei perfeito, pois ainda sou matéria, não posso deixar de ser, por mais que só me fique o pouco de essência que será depois a essência de outro ser enquanto a vida existir a partir dos mesmos elementos que me fazem vivo e se deles ainda se alimentar.

ATEU POETA
Pacoti, 12/11/2011
 6h e 31mim

RENDA


A mídia estimula o crescimento hormonal das crianças e infantiliza os adultos, para ela é fundamental que a sociedade permaneça com a idade intelectual adolescente, a fase em que mais se consome.

A arte, que visa alcançar a massa, e para isso se vende por encomenda, busca o puro entretenimento do expectador, que se acostuma com a violência mostrada em jogos de missões milicas e sem conteúdo realmente Intelectual.

O criador perde sua função política para ascender depressa, constrói em série, o que não lhe permite aperfeiçoar cada obra. 

O público, diante de tanta arte, fica cada vez mais ansioso, e ânsia é quesito ideal para o capitalismo, onde movimento vira renda.


Ateu Poeta
Pacoti-ceará 2004

DESMENTINDO A DIVINA PROPORÇÃO

DESMENTINDO A DIVINA PROPORÇÃO


A proporção áurea prova mais uma vez que não existe Deus, pelo simples fato de Deus ser perfeito e a perfeição não existir.

A repetição foi aceita como perfeição, porém o que é perfeito é único, não faz cópias de si. O que é perfeito é inteiro e para replicar-se é preciso quebrar-se.

Se Deus houvesse existido ao criar o big-bang do Universo teria se matado porque não haveria outra matéria-prima, logo, impossível haver, Céu, Inferno e Purgatório. E, portanto, também, jamais saberíamos de sua existência uma vez que ele está em todo lugar.

Porque só é possível estar em tudo sendo o próprio tudo. E o tudo é imperfeito porque há no tudo o nada. E se há nada no tudo, é por isso que a matéria se move. Porque o nada não é ausência do tudo, mas sua falha.

A repetição da proporção áurea prova não a perfeição, mas sim a imperfeição, uma vez que um número racional é um algarismo quebrado, portanto, imperfeito em si. Se essa imperfeição se repete é sinal claro de que o universo em si é completamente imperfeito, logo, não poderia sair de uma coisa perfeita.

Se os seres vivos fossem perfeitos não morreriam, mas se fossem realmente perfeitos, na verdade, nem vida teriam porque quando você come, bebe, faz sexo, briga, tem medo, se irrita ou qualquer outra coisa, o faz em função de uma necessidade, sem se dar conta de que a necessidade em si é a grande imperfeição que nos move e sempre sofremos os efeitos estressantes quando não a suprimos.

Os desejos, todos eles, são filhos das necessidades; delas é que vêem os vícios, as virtudes e a procura pelo prazer, sobrevivência e proliferação da espécie.

Ateu Poeta

sexta-feira, 6 de setembro de 2019

ORÁCULO DA RAZÃO

ORÁCULO DA RAZÃO

Qual o logarítmico racional da supracitada poesia-sutra fatorial tangente na análise sintética morfológica subabistracionista biofisicoquímica emocional adulterado elevado à raiz quinta solapante emergente em cárcere privado do cerne anátema purulento vilipendiado pela quântica composição lumino-solar polaroide em critérios de raio-gama extraterrena característico pleidiano adjacente à base de hélio, carbono e etileno idiossincrático por meio da fórmula linear que migra do tecnológico para o virtual, assolando através de força centrífuga magnética cossecante radiana dividida pelo pi da matriz maniqueísta indígena ultrajante vezes a poeira-cósmica chamejante em arrogância personificada pela ganância desenfreada de Bhaskara, abrangendo a mais nobre beleza diáfana sobre o prisma ortogonal gládio-glacial embebida em óleo pelos olhos funestos do senhor guerreiro ou general derradeiro que prima pelo bem-feito mal fantasmagórico_fomentando a miséria ruminante dos não educandos_ eliminando a crença verdadeira que suplantaria as formas maquiavélicas de governo ilusionista (marcadas a ferro)?

Será que um porém basta para semear coragem via caráter social vingando entre vinhas provectas em ópio (indulgências amortecedoras, placebos a longo prazo) ou vícios depreciativos?

Cultura é a lavagem cerebral irreparável mais profunda sofrida. 

Para reverter o processo de endoculturação é necessário causar ao aculturado os danos da perda de identidade, método que resultará na não aceitação de regras; nenhuma lei o regerá.

Pronto, agora você já é acultural! Em outras palavras, livre.

Nenhum vínculo o prende, a não ser que sua vida dependa desse fingimento, mas, de fato, poderá sentir um alívio solitário que deságua no prazer de estar vivo pura e simplesmente. 

Esse êxtase é a experiência intelectual mais sublime; não pode ser medido nem decifrado.

Ateu Poeta
2009

ESTATUTÁRIA



Se os recursos terrestres se exaurem, tudo idem. Então, o Cosmo é finito e o que está em expansão não abrange seu todo mas partes que incham aparentemente, do contrário, haveria multiversos, como afirmam alguns cientistas.

E se juntarmos esses multiversos com os espaçamentos entre eles, que nome dar a isso, Superverso? Primo pelo bom e velho Uni ou Oni, quem sabe.

O caso, é que a essência das coisas é a mesma, logo, o meio não ultrapassa a equação de si mesmo. Todavia, de forma alguma entendo como a vida emana do inanimado, a luz das trevas, água do fogo, etc.

Essas contradições irracionalizam-me a razão pretensa. Parece um quebra-cabeça quântico, lego universal de possibilidades ideológicas perenemente multiforme, enxadrismo estatístico da elasticidade inata à estática natureza em espiral, aspirante daquilo que exala.

O existente compõe um tabuleiro amplamente complexo de peças que se coadunam (construção) e desligam (destruição) em movimento desigualmente paralelo e perpendicularmente transversal, numa evolução estagnada entre o findo e eterno dualismo: trivial transcendência do real imaginado.

Menos certeza tenho quanto mais sei. Dúvidas perpassam o âmago do caráter solidamente liquidificado na moldura mística do ceticismo lítero-iconoclasta.

Ateu Poeta
Pacoti-Ceará, 08/03/2008

DÍZIMA RACIONAL


A pretensa razão não é algo em si e sim a representação pictórica da verdade que tanto buscamos. Não se trata da coisa em si mesma, ao invés, o que se a apresenta em seu lugar é uma bela abstração.

Não há em nós temos maior que a morte e dúvida superior à vida e seus processos cosmológicos até chegar em nós por meio de uma evolução complexa difícil de entender e acreditar.

Se a Matemática, uma ciência dita exata, comporta números irracionais e fracionados com divisões inexatas que acabam em dízimas periódicas, eu poderia transplantar essa ideia para o plano geral de natureza e propor que a Verdade é uma dízima periódica?

Então, as coisas também a seriam, todo o Universo não passaria de uma imensa fractal e como tal apenas nos confunde aparentando uma infinitude fajuta?

Para tanto, a própria razão não poderia ser racional em seu todo, ela seria apenas uma fração arredondada para que nossos tão preciosos cálculos sejam possíveis rumo aquilo que talvez jamais responderemos.

Viver é mais importante que contar, contudo, aos curiosos cabe vasculhar a História para com ela aprender, quem sabe, a viver mais e melhor, colhendo das próprias análises um aproximar de porquê do que aconteceu e advirá para empregar no presente.

Vivemos inteiramente para os outros ou para algo além de nós. Em vez de aceitarmos simplesmente que não há porquê da existência a buscamos em algo fora de nós mesmo, exceto se você for um autista, nos apegamos a amigos, colegas, conjugue, família, sociedade, coisas materiais, cultura, deuses e outros seres ditos sobrenaturais.

Nesse ponto os autistas enxergam além, eles vêem a si mesmos, ao contrário da maioria que procura fora de si um espelho que não nos reflete a face: Natureza, beleza, dinheiro, paisagens imaginárias, aceitação, prazer, poder de vida e morte sobre algo, criação de uma coisa até agora inexistente para melhorar a auto-imagem perante a alguma coisa fora de você, entre muito mais de um mar ideológico implantado natural e artificialmente em nossa mente para alçar uma identidade que sequer se define direito.

Somos caçadores do inalcançável. Uma façanha tipicamente humana é criar sempre e guardar informação fora do cérebro; no caso a Arte, como grande exemplo, a própria escrita. Sem palavras transcritas não seria possível passar tanto conhecimento através de milênios, uma vez que oralmente muito se perde.

A oralidade é muito importante para guardar a cultura transmitida que formou parte da nossa identidade cultural a nos diferenciar do resto do mundo. Quando uma cultura de massa em globalização se propaga mundialmente apaga tudo aquilo que somos.

Estamos re-programados, sabendo muito mais sobre os atores e todas as futilidades da vida particular deles que de nossos bisavós. Um ator de novela não pode me fazer entender como virei o que sou dentro de uma sociedade particular que em criou, menos ainda fará por mim um fantoche de reality-show ou um programa de auditório; é quando esqueço quem sou.

Segundo Nietzsche, os problemas deveriam ser encarados de frente e de cara limpa para que pudéssemos resolve-los e nada mais nos traz à tona todos os problemas que a história-local; ela existe para que olhemos nos espelho, não como Narciso, mas como um cientista feito Arquimedes, que saiu nu no meio da rua gritando: _Eureka!

Aroldo Historiador
Pacoti-Ceará, 11/03/2009

DIAMANTE SUTRA

Ensaio sobre a importância da eletricidade Dinâmica na busca da verdade. Tentativa de entender o pensamento como produto material advindo do elemento precursor do fogo, da luz e da própria energia vital.

Partiremos de uma certeza, uma vez que a indagação seria o próprio vácuo informacional ou lacuna não preenchida da razão, a Verdade Suprema é construída de menores e mutáveis a prazos inferiores, então ela própria sofre mutações sistemáticas e crescentes.

A luz interage com tudo a sua volta, deforma-se, destrói e carrega a forma de objetos subpostos em seu caminho. Logo, denomino-a Verdade de Interação, pois forma o que chamamos imagem (aspectos das coisas captado pelos olhos e retrabalhado pelo cérebro para a criação de mapas em cores).

Nossos filamentos cerebrais transportam informações na velocidade da luz tal qual fibra-ótica, funcionamos como um computador ambulante que não apenas executa como capta mensagens visuaudiotatupalatuolfativas e transforma o meio com base na interpretação constante de si e nossas necessidades; para isso o pensamento é imprescindível.

Somos seres receptadores de alimento biofisicoquímico, através também da mecânica produzimos a força motora que nos move, excluindo a parte nociva ou inútil do incremento. Alimentamo-nos inclusive de luz solar, absorvendo calor para produzirmos melhor a energia D.

O corpo em si é um dínamo imensurável, vivemos de alquimia e mecânica. Os músculos da cabeça se deformam em meio ao infindável vai e vem de neurônios velozes que transportam informações (imagens) por meio de uma energia elétrica fria, assim não nos permite realizar auto-combustão mas ilumina realmente.

Destruímos aquilo em que tocamos. A recíproca é verdadeira. Com a luz não é diferente, ela carrega informações em seu genoma, é uma espécie de D.N.A. cosmológico.

Pensamento é portanto, o transporte de informações via luz que se dá num mecanismo biológico, físico, químico e elétrico dentro da cabeça por meio de um processo dinâmico de alargamento e relaxamento dos músculos cerebrais que é fomentado pela ação do meio nos sentidos do ser vivo.

Pensar é um mecanismo de defesa, por isso somos tão reflexivos após uma frustração e perante o desconhecido.

Não só na mente há eletricidade mas no corpo todo, somos um desequilíbrio químico constante, carregamos e somos compostos dos elementos escondidos no subsolo e que nossos metalúrgicos presam, como: ferro e alumínio, além de magnésio, carbono, amônia (parte do excremento), sódio e um monte de gases inúteis que absorvemos porém somos impossibilitados de consumir.

Ateu Poeta

A CONTRA-HISTÓRIA

A CONTRA-HISTÓRIA

O padre condena a pedofilia, o deputado chama o povo de corrupto, o pastor vende o cartão de crédito do céu e acusa o fiel de blasfêmia.

O redondo cobra do torto retidão, a mulher do seu filho varão que seja macho, o impotente cobra ereção do saudável.

O papa sataniza o ateísmo, a polícia proíbe o tiro de espoleta e atira de escopeta na própria polícia fardada.

O cego diz que o míope não vê, o agnóstico diz que o carola não crê, a prostituta protege os bons costumes.

O gay encubado, que não se assume, ataca os gays com quem dormiu, o maior dos ladrões vigia a delegacia, o louco acusa o sábio de loucura.

Manda o incapaz, o bandido vira capataz, a competência se priva, a companhia telefônica acusa o cliente de roubar os próprios créditos, a agência não devolve o dinheiro porque nunca erra, como um oráculo.

O correto é que precisa de advogado, o sargento vai para a cadeia, dinheiro se guarda na meia, o invasor é o habitante da aldeia e não o da cidade.

O traidor odeia a infidelidade, o bêbado acusa o sóbrio de boêmia, o banqueiro fala mal da burguesia.

O ditador acusa a liberdade de tirana, o miserável chama de pobre a cama da classe média, os Estados Unidos chamam o Iraque de terrorista.

O culpado procura uma pista que culpe o honesto, o bispo acusa o pajé de charlatanismo, a companhia de água vende barro na pia e cobra dobrado.

A companhia de energia em vez de devolver os bilhões acumulados indevidamente, sobe o valor dez vezes enquanto promete que a conta do cidadão ficou mais reduzida.

A gasolina sobe de preço apesar do pré-sal, os jornalistas são assassinados, virando a própria notícia.

A Europa é que fale, os desordeiros deturpam a anarquia, o alienado chama o mundo de fantasia, a História é destruída pelo poder público, que jura ser para o bem.

E o poeta escreve para um Brasil analfabeto.

ATEU POETA
Pacoti-CE, 1h e 47 min
04/08/2011